O Acre chegou a 7.658 hectares de área queimada até 16 de agosto, segundo o alerta mais recente do Projeto Acre Queimadas, da Universidade Federal do Acre (Ufac). O número representa um aumento de aproximadamente 169% em apenas 16 dias, em comparação com os 2.850 hectares identificados até 31 de julho. Apesar da aceleração no início de agosto, o acumulado ainda está abaixo dos dois anos anteriores: 15% menor que o registrado em 2025 e 78% inferior ao de 2024, considerando os mesmos períodos.
Na prática, mais de 4,8 mil hectares foram acrescentados ao total estadual desde o fim de julho, mostrando que a temporada de fogo ganhou intensidade justamente na entrada do período historicamente mais crítico da estiagem.
A distribuição das áreas queimadas também mudou em relação ao alerta anterior. Cruzeiro do Sul passou a liderar o ranking estadual, seguido por Feijó, Rio Branco, Rodrigues Alves e Tarauacá. Juntos, os cinco municípios concentram 54% da área queimada registrada no Acre até 16 de agosto.
O mapa do boletim mostra uma concentração importante das áreas atingidas no oeste do estado, especialmente no entorno do Vale do Juruá. Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves aparecem entre os municípios com maiores extensões queimadas, enquanto outros municípios da região também apresentam ocorrências distribuídas pelo território.
Apesar do crescimento da área total, a maior parte das ocorrências ainda é de pequena extensão. Segundo a coordenação do projeto, 53% das áreas queimadas correspondem a ocorrências de até cinco hectares.
Outro dado levantado pelo projeto mostra que aproximadamente 5% das áreas queimadas coincidiram espacialmente com alertas de desmatamento do DETER/INPE. O dado indica uma parcela relativamente pequena de sobreposição entre os dois tipos de alerta, mas não significa, isoladamente, que as demais queimadas não tenham relação com áreas anteriormente desmatadas.
Cenário climático mantém alerta
A redução acumulada em relação aos anos anteriores não significa que o risco esteja afastado. As previsões utilizadas pelo Projeto Acre Queimadas continuam indicando El Niño de forte a muito forte, com possibilidade de precipitação abaixo do normal e temperaturas acima da média no trimestre de agosto a outubro. INMET, IRI Climate Forecast e Censipam apresentam cenários que apontam para condições mais quentes e secas no Norte do país.
A coordenação do projeto também alerta para a possibilidade de prolongamento da estiagem até outubro ou novembro, o que pode manter as condições favoráveis à propagação do fogo por mais tempo. O histórico apresentado pelo próprio projeto ajuda a dimensionar o risco. Entre os anos mais críticos da série de queimadas estão 2005, 2020, 2021, 2022 e 2024.
Qualidade do ar começa a piorar
Os primeiros sinais de impacto da intensificação das queimadas também aparecem nos dados de qualidade do ar. A plataforma da Rede de Qualidade do Ar do Acre mostra que Assis Brasil e Bujari começaram a apresentar, nas primeiras semanas de agosto, médias diárias de poluentes acima do limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde para PM2,5, de 15 µg/m³.
O gráfico apresentado no boletim mostra uma elevação gradual da concentração média de material particulado ao longo dos últimos meses, com picos mais frequentes durante junho, julho e no início de agosto.
Para os pesquisadores, portanto, os números de 2026 ainda representam uma situação melhor que a observada nos dois anos anteriores, mas a velocidade de crescimento da área queimada em agosto reforça a necessidade de manter os cuidados com o uso do fogo.
O boletim é elaborado pelo Projeto Acre Queimadas, coordenado pela pesquisadora Sonaira Silva, da Ufac, e utiliza imagens dos satélites Landsat 8 OLI e Sentinel-2 para identificar as chamadas cicatrizes de queimadas.









