Rio Branco, 27 de agosto de 2026.

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Comissão Pró-Indígena reúne lideranças do Brasil e do Peru em debate sobre proteção de povos isolados

Programação promove diálogo sobre monitoramento territorial, políticas públicas e fortalecimento dos corredores de proteção – Foto Ila Caira/CPI

Lideranças indígenas, organizações indígenas, indigenistas e instituições que atuam na proteção de povos indígenas isolados, como a Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas (Sepi), participam, nesta quinta-feira, 27, do encontro “Fortalecendo os Corredores Territoriais para Proteção de Povos Isolados na Fronteira Brasil–Peru”, que segue até sexta-feira, 28.

A programação reúne experiências, estratégias e propostas voltadas ao fortalecimento da proteção territorial e à articulação entre os diferentes atores que atuam na região de fronteira.

Com o tema “Políticas e iniciativas indígenas de proteção territorial na fronteira Brasil–Peru”, o encontro aborda os corredores Pano-Aruak e Javari-Tapiche. A iniciativa busca ampliar o protagonismo e a autonomia dos povos indígenas na definição de estratégias para esses territórios, além de fortalecer a articulação entre as organizações que atuam na proteção de povos isolados.

No primeiro dia de programação, o debate foi dedicado às experiências indígenas de monitoramento territorial em Terras Indígenas com presença de povos isolados. Representantes das Terras Indígenas Mamoadate, Kaxinawá do Rio Humaitá, Kampa e Isolados do Rio Envira e Riozinho do Alto Envira e Cabeceira do Rio Acre apresentam suas experiências de monitoramento e proteção territorial.

A secretária da Sepi, Francisca Arara, destaca a importância da articulação institucional para fortalecer a gestão territorial e a proteção dos povos indígenas isolados, com planejamento conjunto de ações para 2027.

“Esse encontro fortalece a gestão territorial, o apoio entre as instituições e as ações integradas. A partir desse diálogo, vamos construir um planejamento para 2027, com responsabilidades definidas para cada instituição no cuidado e na proteção dos territórios, dos corredores e dos povos indígenas isolados. Esses povos também vêm sofrendo pressões, e essa realidade tem reflexos nos territórios indígenas do Acre, como as terras indígenas Mamoadate e Kaxinawá do Rio Humaitá. Por isso, é fundamental fortalecer a institucionalidade, integrar as ações, estabelecer calendários e um planejamento, além de criar estratégias e políticas públicas para proteger esses povos.”

Também integram a programação experiências de povos originários do lado peruano, entre elas Monte Salvado, Puerto Nuevo e Nueva Oceania, que compartilham iniciativas de monitoramento e proteção territorial. A troca de experiências busca identificar desafios comuns e possibilidades de atuação articulada na região de fronteira.

Ao longo do encontro, organizações indígenas e instituições parceiras também discutem seu papel na política de proteção dos povos isolados. Entre elas estão a Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (OPIRJ), a Federación Nativa del Río Madre de Dios y Afluentes (FENAMAD), a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), o Centro de Trabalho Indigenista (CTI), a Organização dos Povos Indígenas (OPI) e a Comissão Pró-Indígena do Acre (CPI-Acre).

O evento também prevê a identificação das principais demandas e prioridades relacionadas à proteção territorial, além da elaboração de encaminhamentos para um plano de trabalho conjunto.

No segundo dia, os participantes discutem políticas públicas, articulação interinstitucional, controle social e fortalecimento da rede de proteção. Entre os assuntos estão as ações e os planos de contingência das Frentes de Proteção Etnoambiental Envira e Javari, a política pública de proteção dos povos isolados e o papel das instituições na construção de estratégias de proteção.

No encerramento da agenda, estão previstas apresentações por territórios indígenas, debates em plenária e avaliação participativa. As atividades devem resultar em encaminhamentos para ampliar a articulação entre as organizações e estabelecer ações conjuntas de proteção territorial e defesa dos povos indígenas isolados na região de fronteira.

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