
Brasil e Bolívia ampliaram a integração entre suas forças de segurança na região do Alto Acre com a implantação do Plano Nacional de Operações “Fronteira Segura”, lançado nesta quinta-feira (13) em Cobija, capital do departamento de Pando. A iniciativa prevê compartilhamento de informações de inteligência e operações coordenadas para combater crimes que atuam nos dois lados da fronteira.
A informação foi divulgada pelo Diário do Alto Acre, que acompanhou o lançamento da operação em Cobija. Segundo a publicação, a cooperação entre as forças brasileiras e bolivianas já vinha ocorrendo havia cerca de cinco meses e agora será ampliada para outros pontos da faixa de fronteira.
A nova estratégia reúne a Polícia Boliviana, a Polícia Militar do Acre e o Grupo Especial de Fronteira (Gefron), além de manter articulação com a Polícia Federal, Polícia Civil e setores de inteligência brasileiros.
O objetivo é fazer com que informações obtidas de um lado da fronteira possam chegar mais rapidamente às forças de segurança do outro, permitindo o planejamento de operações conjuntas conforme as necessidades identificadas na região.
Segundo o comandante departamental da Polícia Boliviana em Pando, coronel Erland Monastério Banegas, a troca de informações já produz resultados e agora deverá ser ampliada.

“É muito importante poder realizar e manter o cruzamento de informações que temos há bastante tempo e que tem dado resultados muito bons”, afirmou.
De acordo com o comandante, a cooperação já ajudou na captura de pessoas procuradas pela Justiça e em ações contra suspeitos envolvidos em crimes nos dois países. Ele também citou operações realizadas em Cobija com apoio das forças brasileiras.
Policiamento será ampliado na fronteira
O Plano “Fronteira Segura” não ficará concentrado em Cobija. A previsão é levar o reforço policial para Puerto Evo Morales, outro ponto de passagem entre Bolívia e Acre, no município de Plácido de Castro, e posteriormente avançar em direção à região próxima ao território peruano. A ampliação deve ocorrer já nos próximos dias.
“Vamos ampliar essa presença policial ao longo da próxima semana, no máximo, para chegar com o policiamento. E, quando for necessário, por meio desse cruzamento de informações e com a parceria da Polícia do Brasil, vamos realizar operações”, explicou Erland Monastério.
A estratégia busca evitar que a pressão policial em um ponto da fronteira simplesmente provoque o deslocamento das atividades criminosas para outra área. Com maior presença e comunicação entre as instituições, a intenção é dificultar o uso das áreas de fronteira para circulação de criminosos e outras atividades ilegais.
Cooperação passa a funcionar nos dois sentidos
Do lado brasileiro, o subcomandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, capitão Nogueira, afirmou que a parceria já vinha sendo construída antes do lançamento formal do plano.
Segundo ele, há cerca de cinco meses policiais bolivianos participam de operações planejadas pela Polícia Militar do Acre. A partir de agora, a cooperação também será ampliada para que as forças brasileiras apoiem ações das autoridades bolivianas.
“Essa é uma parceria de troca de informações de inteligência para combater o crime organizado”, afirmou Nogueira.
Para o oficial, a necessidade de integração decorre da própria dinâmica do crime na região. A divisão entre os territórios nacionais não impede a atuação de grupos criminosos, mas pode dificultar a resposta policial quando as instituições trabalham de forma isolada.
“Sabemos que o crime não tem fronteiras. Então, a gente tem que diminuir essa distância de burocracia entre as fronteiras para combater o crime organizado”, completou.
A nova estratégia aproxima as estruturas de segurança dos dois países em uma região onde a circulação entre Brasil e Bolívia faz parte da rotina das comunidades fronteiriças.







