Rio Branco, 10 de agosto de 2026.

Campanha Prefeitura Trabalha pra Gente

Depois de décadas de espera, ruas asfaltadas transformam a rotina de moradores em Senador Guiomard

Obra recebeu investimento de R$ 17 milhões, viabilizado por emenda destinada pela então senadora e atual governadora Mailza Assis – Foto cedida

As bicicletas voltaram primeiro. Depois vieram as caminhadas no fim da tarde. Da varanda de casa, Nadir Silvestre Malaquias acompanha o movimento da Rua João Sabino de Paula como quem ainda se acostuma com a nova paisagem.

Aos 74 anos, ela interrompe a conversa quando alguém bate ao portão. A filha da vizinha da frente atravessa a rua para entregar uma encomenda. Nadir agradece, troca poucas palavras e volta para a cadeira. Dois cachorros correm para a área e se deitam aos seus pés. Os vasos de plantas, cultivados por ela ao longo dos anos, dividem espaço com uma rua que esperou mais de quatro décadas para ver asfaltada.

“Pra mim, e acredito que pra todos os moradores da rua, foi uma alegria muito grande. Até hoje eu olho e parece que nem acredito que o asfalto está pronto”.

Durante boa parte da vida, a paisagem era outra. No verão, a poeira invadia as casas. Quando o inverno chegava, a lama tomava conta da rua e os buracos dificultavam a passagem de carros, motocicletas e pedestres.

Hoje, a Rua João Sabino de Paula faz parte de um novo cenário. Ela está entre as vias contempladas pelas obras de infraestrutura urbana executadas pelo governo do Acre, por meio do Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária (Deracre), em Senador Guiomard.

Com investimento de R$ 17 milhões, viabilizado por emenda destinada pela então senadora e atual governadora Mailza Assis, o projeto prevê serviços de terraplenagem, drenagem, construção de calçadas e pavimentação asfáltica em 32 ruas do município. Nesta semana, foram concluídas as ruas João Sabino de Paula, Rio Branco, Travessa Benedito Maia e José Geraldo. As equipes seguem trabalhando na Rua de Acesso ao Cemitério e na Rua Valério Magalhães, mantendo o cronograma da Operação Verão 2026.

Nesta semana, foram concluídas as ruas João Sabino de Paula, Rio Branco, Travessa Benedito Maia e José Geraldo. As equipes seguem trabalhando na Rua de Acesso ao Cemitério e na Rua Valério Magalhães, mantendo o cronograma da Operação Verão 2026.

Para Nadir, essa história começou muito antes da chegada das máquinas.

Nascida no Paraná, ela veio para o Acre em 1979. Dois anos depois, escolheu a Rua João Sabino de Paula para construir a vida. Chegou com cinco filhos, grávida do sexto. Anos mais tarde, ainda adotaria outra criança. Foi naquela casa que criou a família, viu os filhos crescerem, estudarem e conquistarem o próprio caminho. Também enfrentou uma das maiores batalhas da vida: um câncer.

Durante muito tempo, a rua era motivo de reclamação até de quem precisava visitá-la.

“Quando alguém descobria que eu morava nessa rua, dizia: ‘Eu vou porque tenho que ir, mas é muito difícil passar aí”.

A chegada das máquinas mudou a rotina da vizinhança.

“Quando começaram o serviço, foi uma felicidade. A gente sofria muito com a poeira. As crianças brincavam na rua, caíam e se machucavam”.

Dias depois da pavimentação concluída, ela começou a perceber um movimento diferente.

“Depois que o asfalto ficou pronto, vinha gente de outras ruas caminhar aqui. Eu olhava e pensava: ‘Meu Deus, isso está acontecendo mesmo’. Era uma alegria ver pessoas de fora vindo passear”.

Depois do tratamento contra o câncer, Nadir deixou de caminhar porque as condições da rua já não permitiam. Agora, pensa em retomar um hábito simples que fazia parte dos fins de tarde.

“Agora, com o asfalto, já penso em voltar a caminhar. Caminhada faz bem pra saúde, pra pressão. Mesmo que seja cinco ou dez minutos, já ajuda muito.”

A história de Nadir se repete de formas diferentes em outros pontos da região. Algumas começam nas ruas de Senador Guiomard. Outras chegam de municípios vizinhos, levadas por quem passou a enxergar a cidade de outra maneira.

A poucos quilômetros dali, Maria de Lurdes dos Santos observa Senador Guiomard por outro ângulo. Não mora na cidade, mas, sempre que passa por lá, percebe uma paisagem diferente da que conheceu anos atrás.

“Estou pensando em me mudar para o Quinari porque a cidade está mais organizada”, disse Maria de Lurdes

Naquele dia, ela voltava de um atendimento no Centro de Referência de Assistência Social (Cras) quando aceitou parar por alguns minutos. Aos 62 anos, mora no Ramal Sementeira, em Capixaba, onde vive da produção de abacaxi, banana e madeira. Entre uma viagem e outra ao Quinari, começou a imaginar uma mudança que antes não fazia parte dos planos.

“Estou pensando em me mudar para o Quinari porque a cidade está mais organizada. A gente vê as ruas melhorando e isso faz diferença para quem quer morar aqui”.

Acostumada às dificuldades de quem depende das estradas para trabalhar, Maria conhece o impacto que uma rua em boas condições pode ter na rotina das famílias.

“Quem já morou em uma rua cheia de buracos sabe a dificuldade que é. Para sair com as crianças para a escola, ir ao posto de saúde ou resolver qualquer coisa, era complicado. Com a rua asfaltada, tudo fica mais fácil e mais seguro”.

Maria acredita que investimentos em infraestrutura aparecem primeiro na rotina das pessoas.

“Ver o dinheiro público sendo investido em obras como essa é importante. O asfalto valoriza o lugar, melhora a vida de quem mora ali, de quem tem sua casa, seu carro ou sua moto e precisa sair todos os dias. A cidade cresce e a população cresce junto com ela”.

Enquanto Maria pensa em um novo endereço, quem vive em Senador Guiomard há mais de duas décadas guarda na memória uma cidade bem diferente da atual.

Francisco das Chagas Costa seguia de bicicleta para casa quando aceitou interromper o caminho por alguns minutos. Aos 71 anos, apontou para a rua e sorriu ao lembrar da época em que atravessava aquele mesmo trajeto empurrando um carrinho de picolé.

“Espero que esse trabalho continue, porque quem ganha é o povo”, disse Francisco

“Quando cheguei aqui, as ruas eram todas esburacadas. Eu vendia picolé e tinha muita dificuldade para empurrar o carrinho”.

Anos depois, já trabalhando como vigia, o caminho continuava difícil. “Depois, trabalhando como vigia, também enfrentava lama para chegar ao serviço.”
Hoje, trabalhando como autônomo, ele acompanha uma cidade que, segundo ele, mudou junto com quem mora nela. Hoje a gente vê a diferença. O asfalto facilita a vida de quem trabalha, das crianças que vão para a escola e de toda a população. A cidade fica melhor para viver e para se locomover.”

Francisco volta a apontar para a rua, sorri ao lembrar das dificuldades que enfrentava para empurrar o carrinho de picolé e sobe novamente na bicicleta. Antes de seguir para casa, olha mais uma vez para a via onde trabalhou durante tantos anos e diz: “Espero que esse trabalho continue, porque quem ganha é o povo”.

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