Rio Branco, 11 de agosto de 2026.

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É muita conta para pouco dinheiro; endividamento alcança mais de 53 mil famílias no Acre

Conforme a pesquisa, quase 83% das famílias do Acre estão endividadas – Foto cedida

A Confederação Nacional do Comércio – CNC divulgou recentemente a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor – PEIC, referente ao mês de julho.

A pesquisa revela que o número de famílias endividadas naquele mês foi de 82% em todo o país, o que representa 14.974.900 delas. Desse montante, 5.543.760 afirmam que têm dívidas em atraso e 2.260.500, que não têm condições de quitar seus compromissos, tornando-se inadimplentes.

O número de famílias endividadas continua em elevação, sendo o maior indicador desde janeiro, quando atingiu 79,2% delas.

Se, de um lado, o número de famílias endividadas aumentou em todo o país, por outro, o número de famílias que afirmam ter dívidas em atraso apresentou uma leve retração, saindo dos 29,9% em junho para 29,8% em julho, efeito esse causado pelo Desenrola 2.0, programa do governo federal vigente desde maio deste ano. Contudo, esse programa de renegociação de dívidas não atingiu efetivamente as famílias inadimplentes, marcadas pelo elevado comprometimento da renda, notadamente observado nas famílias com renda mensal de até três salários-mínimos.

A Federação do Comércio do Acre acompanha os dados locais e apurou que, ao longo do mês de julho, o número de famílias endividadas aumentou de 82,4% para 82,7%, saindo de 51.240 famílias observadas em junho para 53.135 delas, apuradas no mês de julho.

Mesmo com o aumento do número de famílias endividadas, o maior dos últimos doze meses, o número de famílias que afirmam não ter condições de pagar suas dívidas diminuiu em todo o Estado, saindo de 17.332 para 17.139 delas. Uma redução de 1,13%.

Para as famílias endividadas, o tempo de atraso observado no Acre foi de 63,1 dias, número que vem aumentando desde julho do ano passado, com concentração nas famílias com renda de até 10 salários-mínimos, também com forte concentração nas famílias com renda de até três salários-mínimos, sendo estas últimas as que mais comprometem a renda, superior a 50%.

“Mais uma vez, o uso inconsciente do cartão de crédito eleva o número de famílias endividadas, especificamente nas de baixa renda.

Mesmo com o Desenrola 2.0, os indicadores ainda são elevados, podendo, por premissa, indicar que as famílias não tomaram conhecimento do programa, o que ajudaria a diminuir o número do endividamento no Estado. Por outro lado, a redução da taxa SELIC, ainda elevada, poderia, a médio prazo, minimizar o impacto das dívidas contraídas, notadamente na possibilidade de renegociação. Sendo menor, consequentemente, o montante de uma futura renegociação reduziria, bem como o valor das parcelas”, comenta Egídio Garó, assessor da presidência da Fecomércio Acre.

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