Rio Branco, 19 de agosto de 2026.

quem ama vacina

Indígenas da etnia Manchinere participam do primeiro círculo de Justiça Restaurativa realizado pelo TJAC em Sena Madureira

Encontro do primeiro círculo de construção de paz é realizado com homens e mulheres Manchineri, na aldeia Jatobá – Fotos Emanuelly Falqueto/Secom

No tronco linguístico arawak, falado pelo povo Manchineri da Terra Indígena Mamoadate, na região de Sena Madureira, no Acre, diz-se “Hihlewlu pantshiko yinuwajya”, que significa: “A paz começa em casa”. A frase é repetida neste mês de enfrentamento à violência doméstica e familiar, o Agosto Lilás. E foi a mensagem principal do primeiro círculo de construção de paz realizado com homens e mulheres Manchineri, na aldeia Jatobá, no rio Iaco, na terça-feira, 18, promovido por servidoras e servidores do Centro de Justiça Restaurativa (Cejures), do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), com apoio da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).

O encontro inédito foi um pouco diferente do habitual: teve que se adaptar à realidade, ao contexto e à cultura do lugar. A facilitadora Mirlene Taumaturgo e o facilitador Fredson Pinheiro, do Cejures, organizaram a peça de centro da roda, com tapete redondo, palavras de respeito impressas e elementos referentes à natureza e ligados à identidade indígena. A servidora Mirlene conduziu o círculo com perguntas e convidou todos a pensarem em suas responsabilidades dentro das aldeias e de suas casas. “Não viemos aqui trazer culpa, mas convidar vocês a refletirem sobre o que podem fazer para melhorar, prevenir a violência”, disse.

Como uma grande parte das pessoas participantes não compreendia bem o português, o professor indígena Jair Manchineri traduziu os diálogos do arawak para o português e vice-versa. Além de auxiliar nisso, o professor ressaltou o quão importante é explicar e levar conhecimento sobre leis e Justiça para as comunidades: “Gostaria que vocês viessem encostar em todas as aldeias, dando esse aviso em cada aldeia da Terra Indígena Mamoadate. Isso é muito bom para nós”.

A atividade iniciou-se pela manhã com o círculo em que mulheres e homens falaram sobre respeito, harmonia dentro de casa e diálogo, tudo buscando respeitar as tradições do povo. Na parte da tarde, a equipe do Judiciário conversou sobre a Lei Maria da Penha, tirando dúvidas, discorrendo sobre os tipos de violência doméstica e a importância da lei para garantir o direito à vida das mulheres, além de conscientizar as pessoas presentes a disseminarem os conhecimentos adquiridos.

A indígena Carcia Manchineri participou dos dois momentos e explicou que esse aprendizado contribui para proteger as mulheres indígenas, que sofrem com esses crimes. “É gratificante ter a Justiça e a Funai aqui falando sobre o assunto da Lei Maria da Penha, porque nós, mulheres indígenas, também sofremos violência doméstica. Não é só isso, mas sofremos em outras coisas e hoje a gente está aprendendo. Hoje nossa convivência é misturada com a do branco, então temos que aprender a praticar nosso costume e o do branco também.”

Nascer e ser Manchineri

No diálogo realizado na parte da tarde, foram apresentados exemplos cotidianos e citados costumes antigos que não podem ser revividos, assim como foram tratados diversos temas, como: presença de drogas e bebidas nas aldeias, incidência de crime organizado nas comunidades, direitos de crianças e adolescentes, abuso infantil, feminicídio e uso excessivo de celular por jovens e adultos.

A servidora da Funai Shyrlene Oliveira da Silva Huni Kuin tirou dúvidas e ressaltou que a mulher indígena tem um papel fundamental na sustentação das comunidades. Shyrlene acompanha a população indígena encarcerada e disse que “nada do que vemos das pessoas indígenas encarceradas vem da cultura dos povos, mas dos costumes dos brancos; e se o indígena fez crime do branco, é punido como branco. E em briga de marido e mulher, tem um monte de gente interferindo e cuidando para proteger as mulheres. Quando falamos do povo Manchineri, queremos lembrar das coisas boas, mostrando a luta desse povo, a cultura. Esperamos que a cultura desse povo permaneça viva pelo que é dentro do povo: nascer Manchineri e ser Manchineri”.

Com informações de TJAC

Compartilhe em suas redes

» Mais Lidas

1
Representantes da classe política prestigiam inauguração e destac...
3
Bombeiros iniciam busca por pai e filho que desapareceram após sa...
4
Calixto falando ou dizendo?
5
Tião Bocalom destaca importância da liberdade de imprensa durante...
6
Empreendedores podem participar de feiras em Rio Branco; Saiba co...
BANNER SF 300x250

» Notícias Relacionadas

quem ama vacina