Rio Branco, 15 de agosto de 2026.

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Mãe acreana transforma desafios da filha em mensagem de inclusão e esperança e é destaque no Globoplay

Dryelem Alves compartilha rotina com os filhos Loren, que tem paralisia cerebral, e João, diagnosticado com autismo, em série documental do Globoplay.

AoPortal Acre, ela fala sobre amor, inclusão e a luta pelos direitos da filha

A história de uma família acreana ganhou projeção nacional ao mostrar que um diagnóstico pode trazer desafios e mudanças para a rotina, mas não precisa estabelecer os limites dos sonhos de uma criança. A jornalista e servidora pública Dryelem Alves participa da segunda temporada da série documental Quanto Mais Cedo, Maior, disponível no Globoplay, onde compartilha parte da experiência como mãe de Loren, de 4 anos, que tem paralisia cerebral, e de João, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) grau 1.

Apresentada pelo pediatra Daniel Becker, a produção acompanha famílias de diferentes regiões brasileiras e aborda temas relacionados à primeira infância. No episódio com a participação da família acreana, questões como inclusão, desenvolvimento, brincadeiras, vínculos familiares e perspectivas para o futuro aparecem a partir da realidade vivenciada dentro de casa.

Loren nasceu com paralisia cerebral após complicações durante o parto. Desde então, terapias, acompanhamento especializado, adaptações e a busca pela garantia de direitos passaram a fazer parte da rotina familiar. Dryelem, porém, procura evitar que a condição da filha se torne a principal forma pela qual a menina é enxergada.

Em entrevista concedida ao Portal Acre, ela contou que a família busca tratar Loren da mesma maneira que os demais filhos, respeitando, naturalmente, as necessidades específicas da criança.

“A Loren na minha vida é a nossa caçulinha e, assim, a Loren é tudo para a gente. Em casa, nós a tratamos como tratamos os outros. Claro que ela tem as limitações dela pela questão de não andar, mas a gente não enxerga ela com essa limitação, sabe? A gente enxerga além da limitação dela”, afirmou.

Para Dryelem, essa maneira de olhar para a filha tornou mais leve a convivência com uma realidade que exige dedicação constante. Ela explica que não encara a deficiência de Loren como um motivo de lamentação, mesmo diante das demandas que surgiram ao longo dos últimos anos.

“Eu acho que é por isso que acaba sendo tão leve. Eu digo leve no sentido de que eu não murmuro por ela ter a deficiência, por termos que passar por essas coisas”, contou.

As “coisas” mencionadas pela mãe fazem parte de uma rotina conhecida por muitas famílias de crianças com deficiência: procurar terapias, buscar atendimento e reivindicar direitos necessários para o desenvolvimento e a qualidade de vida dos filhos.

Nesse ponto, Dryelem afirma que a maior dificuldade enfrentada pela família não está propriamente na deficiência de Loren. Para ela, o desgaste maior surge quando é necessário enfrentar obstáculos para conseguir aquilo que é um direito da criança.

“Essas coisas que eu falo são terapias, correr atrás de terapia, correr atrás dos direitos dela. Eu acho que o mais pesado é lutar contra o sistema, é lutar em busca do direito dela. Eu acho que essa é a parte mais pesada do que a deficiência dela em si”, declarou ao Portal Acre.

Apesar dos desafios, Dryelem define a relação com a filha principalmente pela gratidão. “No mais, eu sou muito grata por ter ela, porque a Loren é amor. Ela é amor, ela é luz”, disse.

Na série documental, a acreana também destaca a importância da rede de apoio construída dentro da própria família. Segundo ela, uma das preocupações sempre foi impedir que Loren fosse vista apenas pela deficiência.

“Minha família sempre me apoiou muito nesse sentido de nunca ter um olhar para a Loren como diferença”, relata durante a produção.

É justamente nas situações mais simples do cotidiano que Dryelem identifica algumas das conquistas que mais valoriza. Brincar, interagir, demonstrar personalidade e até provocar o irmão são comportamentos que representam a possibilidade de Loren vivenciar experiências próprias da infância.

“Eu amo quando ela arenga com o irmão dela, quando ela faz coisas assim que uma criança, vamos dizer, típica faria”, conta.

A importância do brincar também ocupa espaço na conversa apresentada pelo documentário. Ao abordar o desenvolvimento infantil, Daniel Becker ressalta que as brincadeiras desempenham papel fundamental na forma como as crianças conhecem a si mesmas, estabelecem relações e descobrem o mundo. Durante o episódio, o pediatra resume essa perspectiva ao afirmar que “o brincar é a linguagem da infância”.

Para Loren, brincar também representa uma forma de liberdade. Em meio às terapias e aos cuidados necessários, esses momentos permitem que a menina seja percebida para além da paralisia cerebral e tenha espaço para desenvolver sua personalidade e experimentar o mundo à sua maneira.

É ao falar sobre o futuro que Dryelem sintetiza uma das principais mensagens que pretende transmitir. Para a mãe, mesmo que Loren necessite de uma cadeira de rodas, isso não significa que seus caminhos ou sonhos devam ser previamente limitados.

“Ela pode ser uma cadeirante, mas ela pode ganhar o mundo. Por que não?”, questiona.

Dryelem também reforça a confiança no potencial da filha ao destacar características que enxerga diariamente na menina. “Ela pode, vai ganhar o mundo com essa alegria, essa disposição e esse lúdico, esse brincar”, afirma.

Além de Loren, a experiência de Dryelem com a maternidade inclui a trajetória de João, diagnosticado com TEA grau 1. Embora os dois filhos tenham necessidades diferentes, a mãe defende que ambos tenham oportunidades para desenvolver suas capacidades e viver a infância sem serem resumidos aos respectivos diagnósticos.

A participação da família em Quanto Mais Cedo, Maior leva uma história vivida no Acre para uma produção de alcance nacional e contribui para ampliar a discussão sobre inclusão, acessibilidade, desenvolvimento infantil e garantia de direitos.

Mais do que apresentar os desafios de uma família que convive com a deficiência e o autismo, a história de Dryelem, Loren e João coloca em evidência uma perspectiva construída diariamente dentro de casa: reconhecer as limitações existentes sem permitir que elas sejam transformadas em fronteiras para o futuro.

Para Dryelem, a deficiência faz parte da trajetória de Loren, mas não define quem a filha é ou aquilo que poderá conquistar. Entre terapias, brincadeiras, descobertas e a luta diária por direitos, permanece a expectativa expressada pela própria mãe: Loren pode ganhar o mundo.

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