
Candidato a deputado estadual pelo PSD, o ex-superintendente da Pesca no Acre, Paulo Ximenes afirmou que pretende levar para a Assembleia Legislativa uma atuação voltada principalmente às comunidades ribeirinhas e às populações que ainda enfrentam dificuldades de acesso à saúde, educação e oportunidades.
Durante entrevista na transmissão da 8ª noite da Expoacre 2026, neste sábado, 8, Ximenes destacou a experiência acumulada durante sua passagem pela Superintendência da Pesca, período em que percorreu municípios, rios e comunidades do interior do estado.
“Eu fui um superintendente não de gabinete, mas de campo. Eu andei em todos os municípios do estado do Acre, nas comunidades, nos rios, nos lagos, lá onde tinha água que me chamava”, afirmou.
Segundo ele, o contato direto com as comunidades revelou uma realidade que muitas vezes não aparece nos gabinetes. Entre os episódios que mais o marcaram, citou o caso de uma pescadora que vivia nas cabeceiras do rio Juruá e nunca havia passado por uma consulta ginecológica.
“Essas coisas comoviam a gente, porque não só ela, mas muitas outras nunca foram a médicos para fazer um acompanhamento. São um povo desassistido”, disse.
Ximenes afirmou que essa experiência passou a orientar a construção de sua candidatura. Caso seja eleito, disse que pretende direcionar o mandato para pessoas que vivem em situação de maior vulnerabilidade e para comunidades distantes dos centros urbanos.
“O meu mandato será voltado para atender essas comunidades, essas pessoas que mais precisam”, declarou.
Alerta sobre o Rio Acre
Outro ponto destacado pelo candidato foi a situação da pesca no Rio Acre. Ximenes afirmou que a redução da quantidade de peixes no rio é um problema que precisa ser enfrentado com a participação de diferentes órgãos públicos.
Segundo ele, durante sua passagem pela Superintendência da Pesca, chamou sua atenção o fato de o Rio Acre não apresentar o mesmo movimento de piracema observado em outros rios do estado.
“Como você bem conhece, você é de Xapuri, nós estamos com muitos anos que não vemos uma piracema de peixe aqui no Rio Acre”, afirmou.
Ximenes apontou a região da Cachoeira do Abraão como um dos pontos que precisam ser avaliados. Segundo ele, alterações no percurso do rio teriam criado obstáculos que dificultam a subida dos peixes durante o período de reprodução.
Ele afirmou que chegou a desenvolver, em parceria com o Ibama e a Prefeitura de Porto Acre, estudos para avaliar a abertura de um canal que permitisse a passagem dos peixes em direção às cabeceiras.
“Quando não tem peixe, o rio começa a morrer. E, no caso do Rio Acre, o Rio Acre está morrendo”, declarou.
O candidato também relatou ter buscado junto ao Ibama do Amazonas medidas contra a instalação de redes de pesca na região de Boca do Acre (AM), na foz do Rio Acre, durante a piracema. Segundo ele, as redes instaladas no local dificultariam a passagem dos peixes para o território acreano.
Para Ximenes, a recuperação do Rio Acre exige uma ação conjunta entre governos e órgãos ambientais.
“E nós precisamos de autoridades, governador, prefeito, Ministério da Pesca, Ibama. Tem que ser todo mundo e ver qual é o problema”, afirmou.







