Rio Branco, 27 de agosto de 2026.

banner daniel

Superinteressante destaca civilização Aquiry e a dimensão ainda desconhecida dos geoglifos do Acre

A história dos geoglifos do Acre, que há décadas vem ajudando a mudar o conhecimento sobre os povos que habitaram a Amazônia antes da chegada dos europeus, voltou a ganhar destaque nacional. A edição deste mês da revista Superinteressante dedica uma reportagem às recentes descobertas que ampliaram significativamente o número de estruturas conhecidas e reforçaram a dimensão da chamada civilização Aquiry.

A reportagem, publicada originalmente no início de agosto e atualizada posteriormente, recupera a trajetória das pesquisas e destaca a identificação de 396 novos geoglifos por meio da tecnologia LiDAR, que utiliza feixes de laser para produzir mapas tridimensionais do terreno mesmo em áreas cobertas pela floresta. O levantamento analisou cerca de 4,5 mil quilômetros quadrados no Acre, sul do Amazonas e regiões da Bolívia e do Peru.

Com os novos achados, o número de geoglifos conhecidos na região chegou a aproximadamente 1.700. Mas o que já foi encontrado pode representar apenas uma pequena parcela do patrimônio deixado pelos Aquiry. Segundo o pesquisador Evandro Ferreira, da Universidade Federal do Acre (UFAC), uma extrapolação dos dados sugere que a área ocupada por essa sociedade poderia esconder até 30 mil estruturas.

Ferreira é um dos pesquisadores acreanos destacados pela Superinteressante. A revista também resgata a trajetória do paleontólogo Alceu Ranzi, professor aposentado da UFAC e um dos pioneiros na identificação dos geoglifos, ainda na década de 1980, quando grandes estruturas geométricas começaram a ser percebidas durante sobrevoos entre Rio Branco e Porto Velho. Ranzi também integra a equipe do estudo publicado recentemente na revista científica Nature.

As pesquisas indicam que os Aquiry dominaram técnicas sofisticadas de manejo da floresta e construíram enormes estruturas de terra, algumas associadas a estradas e possíveis espaços cerimoniais. Os pesquisadores estimam que, no auge, entre os anos 100 e 300 d.C., essa sociedade poderia ter reunido de 1,25 milhão a 3 milhões de habitantes.

A nova tecnologia também revela uma dimensão ainda desconhecida desse legado. Grande parte dos geoglifos permanece escondida sob a floresta, indicando que o que hoje se conhece pode ser apenas uma fração da paisagem construída por povos que, durante séculos, transformaram profundamente o território amazônico.

Compartilhe em suas redes

BANNER BANNER 1200x250px 2