
O candidato ao Governo do Acre Thor Dantas, do PSB e da coligação Frente Ampla pelo Acre, foi o terceiro postulante ao Palácio Rio Branco a participar da série de sabatinas promovida pelo Portal Acre com os concorrentes ao Governo do Estado nas eleições de 2026. A entrevista foi realizada nesta terça-feira (25) e abriu espaço para o candidato apresentar sua trajetória, propostas e posicionamentos sobre diferentes áreas da administração pública.
A sabatina foi mediada pelo jornalista Jairo Barbosa. Na bancada responsável pelos questionamentos estavam o jornalista Leônidas Badaró, com mais de três décadas de experiência profissional, e Fredson Camargo, jornalista e especialista em assessoria e estratégia política.
Thor destaca 28 anos de atuação como médico
Em sua apresentação, Thor Dantas agradeceu o espaço concedido pelo Portal Acre e destacou sua trajetória profissional. O candidato afirmou atuar como médico há 28 anos no Estado, além de ser professor universitário e ter participado da formação das turmas de Medicina já graduadas no Acre.
“Eu queria dizer que eu sou um médico há 28 anos no Acre, como todas as pessoas sabem. A minha vida foi dedicada a cuidar de pessoas até esse momento, dentro da medicina, dentro da docência. Sou professor também universitário. Ajudei a formar todas as turmas de médicos que já se formaram no Acre”, afirmou.
Segundo Thor, apesar de considerar sua trajetória na medicina plenamente realizada, decidiu ingressar na disputa política por entender que o Estado necessita de mudanças. Para ele, a atividade política enfrenta descrédito justamente porque parte da sociedade associa seus representantes à defesa de interesses particulares.
“Eu percebi que o Acre precisa urgentemente de mudanças dentro da atividade política. A atividade política é uma das atividades mais mal vistas pela sociedade de forma geral”, declarou.
Thor afirmou ainda que se considera preparado para assumir o Governo do Acre e declarou contar com uma equipe qualificada e um plano elaborado para enfrentar os problemas identificados no Estado.
Combate à corrupção e gestão pública
No bloco destinado ao combate à corrupção e à gestão pública, Leônidas Badaró fez uma analogia entre a corrupção e um câncer e questionou Thor sobre como seria possível colocar em prática a proposta de prevenção à corrupção prevista em seu plano de governo.
Na resposta, Thor concordou com a comparação e afirmou que a corrupção é um dos fatores responsáveis pelo descrédito da atividade política. Segundo ele, apesar de praticamente todos os candidatos defenderem publicamente o combate às irregularidades, o problema continua presente nas relações humanas e precisa ser enfrentado permanentemente.
“A corrupção é, de fato, uma característica das relações humanas. Aonde existem relações humanas, existe a possibilidade da corrupção existir”, afirmou.
Entre as medidas defendidas pelo candidato estão o fortalecimento da imprensa, dos órgãos de controle interno e dos mecanismos de governança. Thor também destacou a necessidade de transparência na administração pública e de permitir que as contas governamentais possam ser fiscalizadas e auditadas.
“É preciso que haja transparência, é preciso que as contas sejam auditáveis, é preciso que os órgãos participem desse processo. Assim, a gente mantém o controle da corrupção, e isso é fundamental porque isso é saúde da democracia”, afirmou.
Capacidade do Estado de executar projetos
Outro ponto abordado durante a sabatina foi a capacidade da administração estadual de transformar recursos disponíveis em obras e serviços. Fredson Camargo lembrou que Thor já havia apontado anteriormente uma baixa capacidade de execução do Governo do Acre e questionou como propostas como um diagnóstico nos primeiros 100 dias, a criação de um Escritório Estadual de Projetos e um painel público de metas poderiam evitar se transformar apenas em mais uma estrutura burocrática.
Thor respondeu fazendo duras críticas à administração estadual dos últimos oito anos. Segundo o candidato, o período teria apresentado baixa capacidade de execução dos recursos destinados a projetos.
“Os últimos oito anos foi um recorde de incompetência na execução de projetos”, afirmou.
De acordo com Thor, aproximadamente um terço dos recursos disponíveis estaria sendo executado em projetos. Ele comparou esse percentual com índices que, segundo afirmou durante a entrevista, historicamente chegaram a cerca de 65% no Acre e podem superar 70% ou 75% em governos que priorizam planejamento e execução.
Parcerias com a iniciativa privada e papel do Estado
Em uma das perguntas de tema livre, Leônidas Badaró abordou experiências de parcerias entre o Estado e a iniciativa privada implementadas durante governos da antiga Frente Popular. O jornalista citou empreendimentos como a Dom Porquito e a Acreaves, que classificou como experiências bem-sucedidas, e contrapôs esses casos a projetos como a Peixes da Amazônia e a Fábrica de Preservativos instalada em Xapuri.
Badaró questionou Thor sobre qual deveria ser o papel do Governo do Estado diante de investimentos que contaram com recursos públicos e se uma eventual administração comandada pelo candidato adotaria uma postura diferente.
Thor respondeu que o Estado não deve administrar diretamente os empreendimentos privados. Segundo ele, a responsabilidade do poder público é oferecer as condições necessárias para que os empresários possam investir, produzir e gerar riqueza.
“O papel do Estado não é se meter no empreendimento. Não é. O papel do Estado é gerar condições para o empreendedor empreender e criar economia”, afirmou.
Para Thor, a geração de riqueza ocorre principalmente por meio da atividade econômica, enquanto cabe ao governo criar um ambiente favorável ao desenvolvimento. Entre os instrumentos mencionados pelo candidato estão incentivos fiscais, crédito, infraestrutura e parcerias público-privadas.
“Não há desenvolvimento de nenhuma economia capitalista forte que não tenha um papel decisivo do Estado”, declarou.
Ligação com o campo progressista entra no debate
Na outra pergunta de tema livre, Fredson Camargo lembrou que os 28 anos de atuação profissional citados por Thor atravessaram diferentes administrações estaduais. O jornalista mencionou que o candidato exerceu funções públicas como diretor do Pronto-Socorro, secretário-adjunto de Assistência e diretor-presidente da Fundacre, além de sua trajetória ligada ao campo progressista.
Fredson questionou se a ligação histórica de Thor com governos anteriores e com setores da esquerda poderia dificultar sua tentativa de se apresentar ao eleitor como uma alternativa de mudança, especialmente diante da resistência de parte da população ao PT.
Thor respondeu que não vê a questão como um obstáculo central para sua candidatura. Segundo ele, a eleição de 2026 deverá ser definida mais pela capacidade dos candidatos de apresentar resultados do que por questões ideológicas.
“Eu não me preocupo com isso, sinceramente. A eleição desse ano não vai ser uma eleição baseada em motivos ideológicos. Você entrega resultados ou você não entrega? É isso que a população usa ou deve usar, e vai usar nessa eleição na hora de decidir”, afirmou.
Thor disse que seu plano de governo foi construído a partir de um diagnóstico dos principais problemas enfrentados pelo Estado. De acordo com o candidato, especialistas de 16 áreas participaram da elaboração das propostas, organizadas em cinco eixos estratégicos que incluem saúde, infraestrutura, desenvolvimento econômico, segurança e educação.
A série de sabatinas será encerrada nesta quarta-feira (26), quando o Portal Acre receberá a governadora e candidata à reeleição, Mailza Assis, completando a rodada de entrevistas com os candidatos ao Governo do Acre.








