
O Acre já acumula 41.963 hectares de áreas atingidas por queimadas entre 1º de janeiro e 15 de setembro de 2026, segundo o último relatório do Projeto AcreQueimadas, coordenado pelo Laboratório de Geoprocessamento Aplicado ao Meio Ambiente (LabGAMA), da Universidade Federal do Acre (Ufac). O levantamento, divulgado nesta quarta-feira (23), identifica as cicatrizes deixadas pelo fogo a partir de imagens de satélite Landsat 8 e Sentinel-2.
A distribuição dos focos pelo território, no entanto, é bastante desigual. Feijó aparece como o município com maior extensão de área queimada, seguido por Tarauacá e Manoel Urbano. Sena Madureira e Cruzeiro do Sul também figuram entre os municípios com maiores áreas atingidas. O reletório mostra ainda áreas menores em municípios como Rio Branco, Santa Rosa do Purus, Rodrigues Alves, Brasiléia, Xapuri e Plácido de Castro.
A concentração em determinados municípios é um dos principais aspectos revelados pelo mapeamento. O mapa geral do relatório mostra uma distribuição ampla das cicatrizes de queimadas, mas com maior presença em determinadas regiões do estado, especialmente no eixo formado por municípios do centro-oeste e do Vale do Juruá.
Situação fundiária
A análise da situação fundiária das áreas atingidas também chama atenção. 54% dos 41.963 hectares queimados estão classificados como terras públicas e outros imóveis rurais, enquanto projetos de assentamento e unidades de conservação respondem, cada um, por 15% da área.
Outros 12% estão em imóveis certificados pelo Sistema Nacional de Certificação de Imóveis (SNCI) e 3% em terras indígenas, de acordo com a classificação utilizada no relatório.
Em números aproximados, os 54% correspondem a mais de 22,6 mil hectares dentro da categoria de terras públicas e outros imóveis rurais. Assentamentos e unidades de conservação representam cerca de 6,3 mil hectares cada.
Previsões apontam calor e menos chuva
Os dados atuais ganham importância diante das previsões climáticas apresentadas no próprio relatório para o segundo semestre. Os mapas elaborados a partir de previsões do INMET, IRI Climate Forecast e Censipam indicam condições de temperaturas elevadas e redução de precipitação em parte da Região Norte durante o período de outubro a dezembro.
O material do INMET utilizado pelo projeto apresenta previsão de anomalias de precipitação e temperatura para o trimestre, enquanto os produtos do IRI e do Censipam também apontam para um cenário de calor e condições mais secas na região. A combinação entre áreas já atingidas pelo fogo e a perspectiva climática mantém a necessidade de acompanhamento da evolução das queimadas nos próximos meses.
Qualidade do ar
O relatório relaciona ainda o período de queimadas ao comportamento da qualidade do ar no estado. Segundo a atualização da Rede de Monitoramento da Qualidade do Ar do Acre apresentada no documento, agosto e os primeiros dias de setembro registraram qualidade do ar fora dos limites recomendados pela Organização Mundial da Saúde.
Os dados reforçam que a dimensão da temporada de queimadas não pode ser medida somente pela extensão das áreas atingidas. A fumaça e o material particulado podem alcançar áreas urbanas e comunidades distantes dos locais onde o fogo foi registrado.








