Rio Branco, 14 de setembro de 2026.

banner daniel

Acre tem 77% dos municípios expostos a risco climático e fragilidade fiscal

Um levantamento que cruza risco ambiental e situação fiscal coloca o Acre na liderança nacional em concentração de municípios submetidos a múltiplas vulnerabilidades. Segundo a análise, 77% dos municípios acreanos estão em situação considerada crítica, resultado que supera amplamente a média brasileira, de 29%.

O estudo, denominado Onde o risco ambiental encontra a fragilidade fiscal: uma análise dos municípios brasileiros, elaborado pelo Observatório do Clima, combinou informações da plataforma AdaptaBrasil, utilizada para classificar a probabilidade de ocorrência de deslizamentos e enxurradas, com dados da CAPAG de 2025, indicador utilizado na análise para avaliar a situação financeira dos municípios.

A CAPAG (Capacidade de Pagamento) é uma classificação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN/Receita Federal) que avalia a saúde financeira do contribuinte para quitar dívidas tributárias em até cinco anos.

Foram considerados mais vulneráveis aqueles que apresentavam classificação fiscal C, D ou E e, simultaneamente, risco ambiental médio, alto ou muito alto. Com os 77% registrados no Acre, o estado aparece no topo da tabela elaborada pelo estudo. Na sequência estão Maranhão, com 75% dos municípios em situação crítica; Amapá, com 69%; Goiás, com 65%; e Tocantins, com 60%.

O resultado coloca três estados da Região Norte entre os quatro primeiros colocados, enquanto o Nordeste também apresenta forte concentração de municípios vulneráveis.

No outro extremo, os percentuais são muito menores em estados como São Paulo, onde apenas 3% dos municípios foram classificados como críticos, Espírito Santo, com 1%, e Santa Catarina, com 5%.

A importância do levantamento está justamente na combinação dos dois fatores. Um município pode estar sujeito a enchentes, enxurradas ou deslizamentos, mas ter condições financeiras para investir em prevenção, infraestrutura e resposta. O problema se agrava quando a exposição ambiental ocorre ao mesmo tempo em que existem limitações fiscais.

É essa sobreposição que o estudo procura identificar. Dos 5.568 municípios considerados em todo o país, 1.594 foram classificados como estando em situação “ruim”, enquanto 3.974 ficaram nas categorias “regular ou bom”.

O mapa apresentado na página 3 do levantamento evidencia visualmente essa distribuição: os municípios classificados como críticos aparecem espalhados principalmente pelo Norte e Nordeste. O próprio estudo aponta uma concentração dessas situações em estados historicamente mais expostos a riscos ambientais e com menor capacidade institucional.

Para o Observatório do Clima, a combinação entre exposição a desastres e fragilidade financeira representa uma vulnerabilidade estrutural. Municípios nessa condição podem ter maior dificuldade para prevenir desastres, responder a ocorrências e financiar a recuperação depois de eventos extremos.

O levantamento conclui pela necessidade de priorização territorial na distribuição de recursos e na implementação de políticas de adaptação, justamente nos municípios que acumulam diferentes fatores de vulnerabilidade.

Para a realidade acreana, o dado de 77% é particularmente expressivo: significa que a vulnerabilidade não está restrita a um ou outro município, mas alcança a grande maioria das cidades do estado segundo os critérios adotados pelo estudo.

Compartilhe em suas redes

» Mais Lidas

1
Como ajudar meu filho a falar? Dicas para estimular a linguagem d...
3
Bombeiros iniciam busca por pai e filho que desapareceram após sa...
4
Tião Bocalom destaca importância da liberdade de imprensa durante...
5
Empreendedores podem participar de feiras em Rio Branco; Saiba co...
6
Médicos do estado decidem deflagrar greve na sexta-feira
23-2 - DIGITAL ADAPTACAO - PMRB NAS RUAS - 300X250 (GIF)

» Notícias Relacionadas

banner daniel