
Com a semeadura da soja já autorizada no Acre para a safra 2026/2027, o trabalho de defesa agropecuária entra em uma nova etapa: acompanhar as áreas cultivadas e reduzir os riscos de ocorrência e disseminação da ferrugem asiática, uma das principais doenças que ameaçam a cultura. O período oficial de plantio começou em 21 de setembro e segue até 8 de janeiro de 2027.
Segundo Ligiane Amorim, coordenadora do Programa Estadual de Sanidade das Grandes Culturas do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf), as ações de prevenção começam antes mesmo de a soja chegar ao campo. A estratégia envolve calendários oficiais, comunicação com os produtores e monitoramento das áreas.
“Na produção da soja a gente trabalha com os calendários oficiais para manter sob controle a principal doença da soja, que é a ferrugem asiática. Ela é a doença que causa o maior prejuízo se chegar à área de plantio. Então a gente trabalha com prevenção, comunicação e monitoramento junto a essas áreas de produção”, explicou.
Vazio sanitário preparou as áreas para a nova safra
Antes do início da semeadura, os produtores passaram por um período de 90 dias de vazio sanitário, iniciado em junho e encerrado em 20 de setembro. Durante esse intervalo, ficou proibida a manutenção de plantas de soja nas áreas de cultivo.
A medida tem uma função específica: interromper o ciclo da ferrugem asiática. De acordo com Ligiane, o fungo precisa de uma planta viva de soja para sobreviver e se multiplicar. Por isso, plantas que nascem espontaneamente após a queda de grãos durante o transporte ou que permanecem no campo após a colheita podem representar um risco.
“Se o produtor não estiver atento, ele não percebe essa planta germinada, e o fungo fica ali, sobrevivendo e se mantendo naquele resto de cultura. Se a gente não eliminar essa planta, quando inicia a semeadura, as plantas são muito novas, ainda muito jovens, estão mais suscetíveis, e o fungo vai ter condição de contaminar a área cultivada”, explicou a coordenadora.
A orientação, portanto, não se limita ao período de plantio. O produtor deve observar a própria área e também o entorno, especialmente locais por onde passaram caminhões carregados com grãos da safra anterior, onde podem ter ocorrido perdas de sementes durante o transporte.
Cadastro ajuda Idaf a localizar e monitorar lavouras
Com o início da nova safra, os produtores também precisam cadastrar as unidades de produção de soja no Sistema de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Sisdaf). Ligiane explica que esse procedimento é diferente do cadastro geral da propriedade rural mantido pelo Idaf.

“O cadastro para a cultura da soja é diferenciado. A importância desse cadastro é para que o Idaf localize essas áreas, mantenha essas áreas mapeadas e, quando houver uma emergência, a gente consiga atuar de forma mais rápida, inclusive orientando e informando os produtores ao redor dessas áreas”, afirmou.
A unidade de produção corresponde à área contínua de soja submetida, em geral, ao mesmo período de plantio e manejo. Assim, um produtor que cultiva áreas próprias e arrendadas deve informar as diferentes unidades sob sua responsabilidade.
O cadastro é autodeclaratório e pode ser feito de forma on-line. Entre as informações solicitadas estão os dados do responsável, localização da área, previsão aproximada de plantio, origem das sementes e informações sobre o manejo previsto para a safra.
Para Ligiane, a ferramenta também cria uma via mais eficiente de comunicação entre o serviço oficial e o produtor. Com as áreas identificadas, o Idaf consegue direcionar o monitoramento tanto para a propriedade quanto para seu entorno.
A coordenadora ressalta que o Programa Estadual de Sanidade das Grandes Culturas atua não apenas sobre a soja, mas também sobre outras culturas de importância econômica e agrícola para o Acre, como milho e mandioca.
No caso da soja, entretanto, o momento exige atenção redobrada. Com as lavouras novamente entrando em campo após o vazio sanitário, a combinação entre cumprimento das normas, eliminação de plantas voluntárias, cadastro das áreas e acompanhamento da ocorrência de doenças é considerada fundamental para reduzir os riscos fitossanitários durante a safra 2026/2027.








