Rio Branco, 9 de setembro de 2026.

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Área queimada mais que dobra em agosto, mas Acre ainda registra cenário melhor que anos anteriores

O Acre encerrou agosto com 17.857 hectares de áreas queimadas, segundo o alerta mais recente do Projeto Acre Queimadas, da Universidade Federal do Acre (Ufac). O número mostra uma forte aceleração do fogo ao longo do mês: eram 7.658 hectares até 16 de agosto, o que significa que mais de 10 mil hectares foram acrescentados em apenas duas semanas.

Apesar do avanço, a coordenação do projeto avalia que 2026 ainda apresenta um cenário melhor que os anos anteriores, com redução tanto da área queimada quanto do número de focos de calor registrados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

A aceleração registrada em agosto, no entanto, mostra que a temporada de fogo entrou em uma fase mais intensa. Do total mapeado até o dia 31, aproximadamente 57% da área queimada foi acrescentada somente na segunda metade do mês.

Feijó assume liderança

O avanço das queimadas também alterou o ranking dos municípios. Feijó passou a concentrar a maior área queimada do Acre, seguido por Cruzeiro do Sul, Tarauacá, Rio Branco, Sena Madureira e Rodrigues Alves.

Os seis municípios respondem, juntos, por 62% da área queimada no estado. O gráfico do boletim mostra Feijó próximo de 2,5 mil hectares, enquanto Cruzeiro do Sul e Tarauacá ultrapassam 2 mil hectares cada.

A distribuição espacial das cicatrizes também chama atenção para o oeste do estado e para áreas do Vale do Juruá e do eixo Tarauacá-Envira. O mapa do projeto mostra ainda a sobreposição das queimadas mapeadas em 2026 com áreas de desmatamento identificadas pelo PRODES de 2025.

Embora a área total tenha crescido rapidamente, 48% das queimadas ainda correspondem a áreas de até cinco hectares. O dado indica que quase metade das ocorrências mapeadas permanece concentrada em pequenas extensões.

Outro levantamento mostra que aproximadamente 3,7% das áreas queimadas coincidiram com alertas de desmatamento do DETER/INPE. O percentual representa uma sobreposição espacial entre as duas bases e não permite, isoladamente, estabelecer uma relação de causa entre desmatamento e queimadas.

Calor e estiagem mantêm alerta

O cenário climático continua sendo o principal fator de preocupação para os próximos meses. As previsões apresentadas pelo INMET, IRI Climate Forecast e Censipam apontam para temperaturas acima do normal e precipitação abaixo da média no trimestre de agosto, setembro e outubro.

Os mapas apresentados no boletim indicam uma extensa área da Amazônia sob previsão de temperaturas acima do normal e condições de chuva abaixo da média. O relatório do Censipam também aponta anomalia positiva de temperatura sobre o Acre e redução das precipitações previstas para a região.

A coordenação do Projeto Acre Queimadas alerta ainda para a possibilidade de prolongamento da estiagem até outubro ou novembro, o que pode manter por mais tempo as condições favoráveis à propagação do fogo.

Fumaça já afeta qualidade do ar

Os efeitos da temporada também começam a aparecer de maneira mais clara no monitoramento da qualidade do ar. A atualização da plataforma da Rede de Qualidade do Ar do Acre mostra que agosto e os primeiros dias de setembro apresentaram registros fora dos limites recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O gráfico da plataforma mostra uma elevação das concentrações de PM2,5 principalmente a partir do fim de julho e durante agosto, com picos que ultrapassam a referência de 15 µg/m³ adotada pela OMS.

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