Rio Branco, 4 de setembro de 2026.

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Inpa firma parceria com Coiab e lança projeto de agrofloresta de R$ 2,1 milhões na Terra Indígena Cabeceira do Rio Acre

A iniciativa marca a primeira vez que a Coiab acessa diretamente recursos do Fundo Amazônia/BNDES – Foto Daira Martins Ascom/INPA

Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) assinou um Acordo de Cooperação Técnica com a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e a MATPHA para dar início ao Projeto Dukutena: Agrofloresta na Terra Indígena Cabeceira do Rio Acre. A iniciativa marca a primeira vez que a Coiab acessa diretamente recursos do Fundo Amazônia/BNDES, ampliando o protagonismo dos povos indígenas na gestão de ações de restauração ambiental e fortalecimento territorial na Amazônia.

Com investimento de R$ 2,197 milhões e duração de 48 meses, o Dukutena prevê a restauração de 79,87 hectares de áreas degradadas e a implantação de sistemas agroflorestais em oito comunidades dos povos Jaminawa e Manchineri. Entre as metas estão o plantio de 25 mil mudas de espécies arbóreas e frutíferas, a criação de oito viveiros comunitários, a formação de 40 agentes agroflorestais e 40 agentes de monitoramento indígena. O projeto também busca fortalecer a segurança alimentar, geração de renda, proteção territorial e a valorização dos conhecimentos tradicionais.

Para o diretor do Inpa, Henrique Pereira, a parceria aproxima a ciência do Instituto das demandas e saberes dos povos da floresta. “É muito importante fortalecer novas parcerias, porque elas qualificam os trabalhos que desenvolvemos na Amazônia brasileira e aproximam a ciência das necessidades dos povos indígenas que vivem nos territórios”, declarou. Pereira também destacou a presença de estudantes indígenas nos espaços de pesquisa como essencial para uma “ciência amazônica mais diversa e conectada com os territórios”.

O coordenador-geral da Coiab, Toya Manchineri, ressaltou o avanço da cooperação entre organizações indígenas e instituições públicas. “Esta iniciativa demonstra a presença do Estado, por meio de instituições como o Inpa, o Ibama e outros órgãos, trabalhando em parceria com as organizações indígenas. Essa união pode gerar resultados positivos e contribuir para enfrentar os desafios vividos pelos povos indígenas”, afirmou. Toya lembrou ainda que a Coiab atua em cerca de 114 milhões de hectares de terras indígenas na Amazônia e que muitas áreas ainda precisam de apoio para recuperação.

A diretora-presidente da MATPHA, Wauana Manchineri, apontou o caráter estratégico do projeto também para a proteção de territórios de povos indígenas isolados. “Esse território impacta diretamente, de forma positiva, os territórios dos nossos parentes isolados. Junto com a Gerência de Povos Indígenas Isolados, estamos fazendo uma frente para ter esse cuidado a mais com nossos parentes que estão nesse território de passagem ou que vivem nessa localidade”, disse.

A cerimônia reuniu equipes do Inpa, setores de Projetos, Relações Internacionais, Comunicação e Monitoramento, além do Centro Amazônico de Formação Indígena – CAFI da Coiab, com participação remota de lideranças Jaminawa e Manchineri.

Com informações da Ascom/Coiab

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