
Nesta terça-feira, 1, o Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC), a Associação dos Municípios do Acre (AMAC) e a Iniciativa Inter-Religiosa pelas Florestas Tropicais no Brasil (IRI Brasil) realizaram “Agenda Climática na Amazônia Acreana – Municípios em Rede pelo Clima”.
O evento aconteceu no plenário do TCE reunindo especialistas, gestores, pesquisadores e prefeitos com objetivo de debater impactos gerados pelas mudanças climáticas no Acre.
Além de debater impactos a ocasião também foi uma oportunidade para discutir a preparação e as demandas dos municípios do Acre em relação ao tema.
Em entrevista ao Portal Acre, o coordenador nacional da Iniciativa Inter-Religiosa pelas Florestas Tropicais no Brasil (IRI Brasil), Carlos Vicente, destacou como mudanças climáticas afetam a todos, mas principalmente as pessoas mais vulneráveis: “A questão fundamental é que todo o dano que a gente causa ao ambiente em que a gente mora produz consequências sobre todo mundo, sobretudo sobre os mais pobres e os mais vulneráveis”, disse.
Vicente também abordou consequências dos impactos climáticas na saúde, produção e as altas temperaturas no Acre.
“Então, a gente tem estatísticas assustadoras no Brasil como um todo, na Amazônia, no Acre em particular, das pessoas que estão adoecendo por causa da fumaça, produtores que estão perdendo a sua produção por causa da seca, muita gente sofrendo por causa do calor, sistema de saúde colapsando na época da seca, na época da fumaça, e isso tudo tem a ver com a nossa maneira de lidar com o ambiente que a gente está”, afirmou Vicente.
Jussara Carvalho, da Câmara Temática de Adaptação Climática do Fórum Brasileiro de Mudança do Clima, relatou a complexidade que envolve os eventos extremos e a necessidade de integração entre os três níveis de governo.
“E esses eventos extremos que acontecem, eles são muito complexos, porque eles trazem uma série de componentes difíceis e que trazem também respostas muito complexas. Então, para isso, tem que se unir todos os três níveis de governo. A palavra é integração, o poder público tem que se integrar, entre as secretarias tem que haver integração, porque você vê que os impactos que acontecem atingem a economia como um todo, atinge as escolas, a saúde, o rural, tudo”, afirmou a doutora.
O pesquisador Foster Brown da Universidade Federal do Acre destacou que todos estão notando as mudanças climáticas e abordou que a tendência é que as mudanças continuem acontecendo.
“Todo mundo está percebendo como o clima está mudando. O problema é que a tendência é continuar mudando. Para minimizar os impactos adversos dessas mudanças, aumento de temperatura, problema de disponibilidade de água e a fumaça associada com as queimadas, precisamos ter ações no poder público. Então, essa reunião aqui é uma maneira de poder conversar com os prefeitos, com representantes das municipalidades, os municípios, para pensar o que podemos fazer para adaptar essas novas situações.”, disse Foster.










