Rio Branco, 14 de setembro de 2026.

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Post de filho resgata trajetória política de Raimundão e levanta reflexão às vésperas de nova eleição no Acre

Raimundão na Colocação Rio Branco, em Xapuri – Foto cedida

Uma televisão, uma moto Honda Bros ano 2000, uma geladeira, uma bicicleta Monark, um celular, um fogão, um pequeno aparelho de som e a posse de uma colocação de seringa. Há cerca de duas décadas, esse era o patrimônio declarado por Raimundo Mendes de Barros, o Raimundão, ao colocar seu nome à disposição do eleitorado acreano ao ser candidato a deputado estadual. O valor total era de R$ 42,5 mil.

As imagens da antiga declaração foram resgatadas pelo filho, Rogério Mendes de Barros, em uma publicação recente no Instagram que, às vésperas de mais uma eleição, transforma os números em uma reflexão sobre política, patrimônio e, principalmente, sobre o legado deixado por quem passou pela vida pública.

“Essas imagens dizem muito mais do que os números que aparecem nelas. Mas talvez o maior patrimônio de meu pai nunca tenha aparecido em uma declaração de bens. Seu verdadeiro patrimônio está na história que ajudou a construir”, escreveu Rogério.

Aos 81 anos, Raimundão não é candidato a nenhum cargo nas eleições deste ano. Depois de quatro mandatos consecutivos como vereador de Xapuri, entre os anos 1980 e 1990, ele disputou a Prefeitura em 2004 pelo PT e terminou em segundo lugar, com 3.367 votos, apenas 153 atrás de Vanderley Viana, vencedor daquela eleição.

Primo de Chico Mendes, Raimundão integrou a geração de seringueiros e lideranças comunitárias que participou da resistência dos trabalhadores da floresta e da defesa dos territórios tradicionais. Mesmo depois de deixar os mandatos eletivos, manteve a militância política e ambiental.

Hoje, sua rotina continua ligada ao lugar que aparece na antiga declaração de bens: a colocação Rio Branco, no seringal Floresta, dentro da Reserva Extrativista Chico Mendes, onde segue vivendo e se dedicando à vida na floresta.

Para o filho Rogério, que é seguidor dos passos do pai na causa ambiental, é justamente essa dimensão da trajetória que procura recuperar ao publicar as imagens da declaração de bens.

“Riqueza também se mede pelo legado deixado para as próximas gerações. E, nesse sentido, Raimundão construiu uma fortuna que dinheiro nenhum consegue comprar: respeito, história, luta, território e floresta em pé”, afirma.

A publicação também transforma a lembrança familiar em uma reflexão sobre o exercício da política. Sem citar nomes de políticos contemporâneos, Rogério estabelece no texto um contraste entre a forma como enxerga a atuação do pai e aquilo que considera uma distorção da atividade política.

Segundo ele, houve momentos em que fazer política significava assumir uma missão, representar pessoas com pouca voz e buscar direitos para as comunidades. Ao mesmo tempo, afirma que atualmente também existem exemplos de transformação da política em instrumento de poder pessoal, patrimônio e enriquecimento.

A crítica é apresentada como uma reflexão pessoal sobre a trajetória do pai e ganha um significado particular em um momento em que o país se aproxima de mais uma eleição.

Em um período de renovação das disputas eleitorais, a publicação recupera uma trajetória política que ajuda a contar parte da história de Xapuri e coloca em discussão uma pergunta que ultrapassa a declaração de patrimônio: o que deve permanecer como medida de um homem público quando os mandatos terminam?

Para Rogério, a resposta está naquilo que, em sua trajetória, o pai deixou para para a floresta e para as pessoas que seguem vivendo nela: “O tamanho de um homem público não deveria ser medido pelo patrimônio que acumulou, mas pelo legado que deixou para o seu povo.”

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