
A produção de milho da primeira safra no Acre cresceu 10,8% entre agosto de 2025 e agosto de 2026, passando de 88,3 mil para 97,8 mil toneladas, segundo o Boletim Técnico da Federação da Agricultura e Pecuária do Acre (FAEAC) divulgado nesta terça-feira (22). O avanço ocorreu acompanhado pelo aumento da área plantada e da produtividade média.
De acordo com os dados, a área destinada ao cultivo passou de 29,7 mil para 31,1 mil hectares, crescimento de 4,7%. Já o rendimento médio subiu de 2.972 para 3.144 quilos por hectare, alta de 5,8%. Em termos de produtividade, o resultado equivale a uma passagem de aproximadamente 49,5 para 52,4 sacas por hectare.
O desempenho indica que o aumento da produção não ocorreu apenas pela expansão das áreas cultivadas. A produtividade também apresentou melhora no período, contribuindo para o crescimento de quase 9,5 mil toneladas na produção estadual.
Apesar do avanço, a FAEAC chama atenção para um aspecto importante do desempenho do milho acreano, que é o rendimento médio da primeira safra ainda é considerado baixo quando comparado ao obtido na segunda safra. O boletim relaciona essa diferença à presença significativa de produtores da agricultura familiar, que, em muitos casos, trabalham com baixo nível tecnológico e destinam parte da produção à subsistência.
Para a entidade, os números também mostram que existe espaço para elevar a produtividade. Entre os fatores apontados estão melhorias na fertilidade do solo, população de plantas, manejo fitossanitário e utilização de híbridos adaptados às condições do Acre.
Cenário internacional
O boletim também aponta um cenário internacional que pode favorecer o mercado de milho. No relatório de setembro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu a projeção de produção mundial de milho de 406,73 milhões para 401,32 milhões de toneladas, enquanto o preço médio ao produtor nos Estados Unidos passou de US$ 177,17 para US$ 188,98 por tonelada.
Segundo a análise da FAEAC, a redução da oferta mundial e a maior utilização do milho no mercado interno brasileiro, especialmente para a produção de etanol, ajudam a sustentar os preços. A entidade observa que o USDA também reduziu a projeção das exportações brasileiras de milho para 43 milhões de toneladas.
No mercado acreano, entretanto, a cotação mais recente apresentada pelo boletim mostra movimento diferente. A saca de milho de 60 quilos passou de R$ 70 para R$ 65,50, queda de 6,43% no período analisado.
Em síntese, o boletim demonstra que embora a produção da primeira safra tenha apresentado crescimento expressivo, os dados mostram que o setor ainda enfrenta o desafio de elevar a produtividade e transformar o avanço da produção em maior eficiência econômica para os produtores acreanos.







