Rio Branco, 15 de setembro de 2026.

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Produtor rural é retirado de grupo da Coopercafé após declarar apoio a Mailza Assis

Manifestação da filha do produtor no grupo de cooperados da Coopercafé – Foto reprodução

O produtor de café conhecido como Caboco foi retirado do grupo de WhatsApp da Coopercafé, cooperativa de cafeicultores do Juruá, após declarar apoio às candidaturas de Mailza Assis e Jéssica Sales.

A família afirma que ele foi chamado de “traidor” e que sua manifestação política, feita originalmente em outro grupo, foi exposta no espaço oficial dos cooperados. A filha do produtor, Ketila, acusa a direção da entidade de utilizar a estrutura da cooperativa para constranger quem não apoia o grupo político ligado ao candidato Alan Rick.

Segundo Ketila, o pai enviou um áudio em um grupo de WhatsApp ligado ao deputado federal Zezinho Barbary, sem mencionar a Coopercafé ou seu presidente. De acordo com o relato, a gravação teria sido compartilhada posteriormente pelo presidente da cooperativa no grupo oficial dos cooperados. Após a exposição do conteúdo, Caboco teria recebido críticas, sido chamado de “traidor” e retirado do espaço.

“Meu pai enviou um áudio em um grupo de WhatsApp do Zezinho Barbary. Em nenhum momento o áudio citava sequer Jonas, a cooperativa ou algo do tipo, mas o senhor presidente achou de boa índole encaminhar no grupo dos cooperados, para assim meu pai receber comentários como traidor e outros”, denunciou.

Para a filha do produtor, o episódio demonstra uma possível utilização política de um espaço criado para representar os interesses dos cafeicultores.

“A cooperativa foi criada justamente para atender os pequenos produtores, não para vias políticas. No entanto, está sendo totalmente ao contrário”, criticou.

Coopercafé é presidida pelo ex-deputado Jonas Lima – Foto cedida

Segundo Ketila, a exposição não teria se limitado ao áudio. Ela afirma que até uma fotografia publicada pelo pai em seu status pessoal teria sido capturada por um assessor e posteriormente levada ao grupo da cooperativa.

Para a família, a circulação desses conteúdos teve o objetivo de expor e pressionar o produtor em razão de sua escolha eleitoral.

“Na minha opinião, as pessoas são livres e votam e apoiam quem quiserem, e ninguém tem o direito de diminuir o outro por isso”, afirmou Ketila.

Diante da retirada do pai do grupo, ela questionou a conduta adotada pela direção: “Isso é uma cooperativa ou uma ditadura?”.

A Coopercafé reúne cerca de 220 famílias e tem entre suas finalidades a organização da produção e a defesa dos interesses dos cafeicultores. Para a família de Caboco, o episódio levanta questionamentos sobre a utilização política do espaço destinado aos cooperados e sobre uma possível tentativa de pressionar produtores em relação às suas escolhas eleitorais.

A reportagem procurou a direção da Coopercafé para comentar as acusações, mas não obteve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação da cooperativa e dos demais citados.

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