
A qualidade do ar apresenta, nesta sexta-feira (18), um cenário relativamente mais favorável no Acre em comparação com os períodos de maior concentração de fumaça registrados durante a temporada de queimadas. Dados da Rede de Monitoramento da Qualidade do Ar da Universidade Federal do Acre (Ufac) mostram concentrações baixas de material particulado fino (PM2,5) na maior parte dos municípios com sensores em funcionamento.
O destaque, porém, fica para Rio Branco, onde a leitura registrada às 13h desta sexta-feira chegou a 13,7 microgramas de PM2,5 por metro cúbico (µg/m³). De acordo com a classificação apresentada pela plataforma, o índice está na faixa moderada, acima do intervalo de 0 a 12 µg/m³ considerado satisfatório.
Apesar da elevação, o valor está distante dos níveis observados durante episódios mais intensos de poluição atmosférica. A média dos últimos 30 dias em Rio Branco está em 9,7 µg/m³, enquanto o maior valor registrado pelo sistema na capital foi de 180,7 µg/m³, em 6 de setembro de 2024.
Maioria dos pontos com níveis baixos
Os dados gerais disponibilizados pela plataforma mostram que, na leitura de 17 de setembro, a média entre os municípios apresentados estava em aproximadamente 6 µg/m³. Entre os menores registros estavam Sena Madureira, com 2 µg/m³; Mâncio Lima, 4; Assis Brasil, 5; e Acrelândia, Cruzeiro do Sul e outros municípios com valores próximos de 6 µg/m³.
Bujari apresentava 10 µg/m³, enquanto Rio Branco aparecia com 10 µg/m³ na referência do gráfico histórico, antes da leitura de 13,7 µg/m³ registrada na tarde desta sexta-feira.
Pela escala utilizada na plataforma, concentrações entre 12 e 35 µg/m³ entram na categoria moderada. Nessa faixa, a descrição indica que a qualidade do ar ainda é considerada aceitável, mas exposições prolongadas podem representar problema para um pequeno número de pessoas.
Apenas 11 de 30 sensores estavam on-line
Um fator que precisa ser considerado na interpretação dos dados é a situação operacional da rede. A página da Ufac informa a existência de 30 sensores distribuídos por 22 municípios do Acre. Na consulta realizada nesta sexta-feira, entretanto, apenas 11 dos 30 equipamentos apareciam on-line, o que representa pouco mais de um terço da estrutura disponível.
Isso significa que o retrato apresentado pela plataforma corresponde aos locais que estavam transmitindo dados no momento da consulta. Sensores desligados ou sem comunicação não permitem avaliar as condições atmosféricas de seus respectivos municípios.
Cenário pode mudar rapidamente
O comportamento do PM2,5 também precisa ser analisado dentro do contexto da temporada de seca e queimadas. O gráfico histórico da Rede de Monitoramento mostra que as maiores elevações das concentrações de partículas finas ocorrem em períodos associados a condições atmosféricas mais favoráveis à permanência da fumaça.
Por isso, a situação observada nesta sexta-feira não significa que o risco de piora tenha desaparecido. Mudanças no vento, ausência de chuva e novas queimadas podem provocar aumento das concentrações em poucas horas.
O PM2,5 é formado por partículas muito pequenas, capazes de permanecer suspensas no ar e penetrar profundamente no sistema respiratório. Por isso, o acompanhamento contínuo dos dados é especialmente importante durante o período de estiagem.
A fotografia desta sexta-feira, portanto, é de um Acre com qualidade do ar predominantemente boa nos pontos monitorados, mas com sinais de atenção em alguns locais. Rio Branco, ao atingir 13,7 µg/m³, já entrou na faixa moderada da classificação da plataforma, enquanto a cobertura parcial dos sensores reforça a necessidade de acompanhar a evolução das medições nos próximos dias








