Rio Branco, 26 de setembro de 2026.

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Que dá vontade, dá! – Por Lane Valle

Eita que esta colunista voltou à ativa — e com todo gás. Foram tantos acontecimentos nas últimas semanas que, facilmente, renderiam assunto até o final do ano. Mas, vamos por partes, selecionando conforme o ranking das emoções… ou dos surtos.

Cá pra nós, queridos leitores: rolou de tudo. Até “DR” com chefes — inclusive com o “retumbante e inoxidável” editor-chefe deste Portal, Badaró. Longe de mim lançar qualquer indireta por aqui, mas ele andou me jogando para escanteio nas últimas semanas e deixando meus leitores ‘farmando aura’ por um longo período.

Justificado o motivo da minha ausência por aqui, retornamos ao “que dá vontade, dá” desta semana. Então, vem aí o top five de tudo que rolou — e olha que rolou de tudo: choro, decepções, luto, recomeços e reencontros.

E talvez seja justamente sobre os reencontros que eu queira falar.

Mas, antes, para entender o título deste artigo, que faz referência ao refrão de uma canção de Guilherme & Santiago, é preciso voltar àqueles momentos pelos quais todo mundo passa, pelo menos uma vez na vida — ou de vez em sempre —, quando a vontade, se não fosse o senso de responsabilidade, seria mesmo jogar tudo para o alto.

Ir embora. Não com alguém, mas de alguém. De uma situação. De um emprego que não te respeita. De um ambiente tóxico. Da gente mesmo. De tudo aquilo que, de alguma maneira, tira a nossa paz.

Mas, entre todas as emoções vividas nesta semana, vou tentar manter o clima leve e falar sobre reencontros. E não necessariamente sobre encontrar alguém. Às vezes, o reencontro mais desconcertante e também necessário é aquele que acontece dentro de nós.

Basta uma presença, uma voz, um olhar ou uma situação inesperada para que o sistema límbico abra algumas gavetas que a gente jurava ter trancado. E lá estão elas: memórias, cheiros, lugares, conversas, risadas, dores, expectativas, tudo aquilo que o tempo não apagou completamente — apenas colocou em silêncio.

E o curioso é que memória não é sinônimo de vontade. Lembrar não significa querer de volta. Sentir alguma coisa não significa desejar vivê-la novamente. Às vezes, é apenas o cérebro nos lembrando de quem fomos, do que vivemos e, principalmente, de tudo o que nos trouxe até aqui.

Alguns reencontros, inclusive, chegam sem pedir licença e nos deixam naquele estado meio desconcertante de quem pensa: “Eita… isso ainda estava aqui?”.

Estava.

Mas estar não significa permanecer.

Talvez por isso a vida seja tão cheia dessas situações em que a gente pensa em jogar tudo para o alto, quando lembra dos sonhos da juventude e da leveza de outrora.

Por isso, vez ou outra, é difícil controlar a vontade de jogar tudo para o ar: o emprego, aquela rotina maçante, a vida adulta, as responsabilidades, uma situação que já não cabe mais.

Dá vontade de sair correndo, bater a porta e deixar para trás tudo aquilo que, por algum motivo, passou a pesar mais do que deveria. Só que, entre a vontade e a decisão, existe uma coisa chamada consciência. E, às vezes, é ela que nos impede de transformar um impulso em destino.

No fim das contas, talvez amadurecer seja justamente isso: olhar para trás e ver o quanto tudo o que vivemos fez parte do processo de construção da nossa melhor versão.

Entre surtos, lágrimas, DRs, reencontros e vontades repentinas de jogar tudo para o alto, fica a certeza de que nem toda vontade precisa ser vivida.

Algumas só precisam passar.

E outras… bom, outras a gente transforma em coluna.

Porque, afinal de contas, mas que dá vontade, dá!

Lane Valle é jornalista, fonoaudióloga e colaboradora do Portal Acre.

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