Rio Branco, 2 de setembro de 2026.

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Resex Chico Mendes mantém barreira contra desmatamento, mas sofre pressão nas bordas

Estudo que mostra “pressão” foi produzido por professores e estudantes da UFAC – Foto cedida

A Reserva Extrativista Chico Mendes continua funcionando como uma importante barreira territorial contra o avanço do desmatamento no sul do Acre, mas a pressão sobre suas bordas tem aumentado, principalmente com a expansão da pecuária e a abertura de ramais. É o que aponta um estudo produzido por professoras e estudantes da Universidade Federal do Acre (Ufac), que analisou 34 anos de dados de desmatamento e comparou a dinâmica dentro da unidade com a de seu entorno.

O artigo “Reserva Extrativista Chico Mendes: Entre a Conservação e o Desmatamento na Amazônia Sul-Ocidental” foi apresentado no 6º Simpósio de Modelagem de Sistemas Ambientais e Gestão da Paisagem e 1º Simpósio de Estudos Territoriais, realizado de 2 a 5 de dezembro de 2025, no Instituto de Geociências da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Assinam o trabalho as docentes Karla da Silva Rocha, do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, e Andréa Alechandre, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza, além dos estudantes Osmar Philipe Barbosa Farrapo, bolsista Pibic/CNPq; Wilcilene da Silva Carneiro, bolsista Pivic; Luana Beatriz Silva Sarmento e Leonardo Hadad de Oliveira. Karla Rocha é docente do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Ufac, enquanto Andréa Alechandre atua no Centro de Ciências Agrárias e da Natureza.

34 anos de dados

A pesquisa cruzou séries históricas do Prodes/Inpe referentes ao período de 1990 a 2024 com informações sobre estradas, ramais, hidrografia e os limites oficiais da Resex. Os pesquisadores utilizaram ferramentas de Sistema de Informação Geográfica (SIG) para comparar o desmatamento acumulado dentro da unidade com uma faixa de 10 quilômetros no entorno.

Os resultados mostram que a reserva mantém mais de 89% de sua cobertura florestal preservada. No interior, as áreas desmatadas aparecem principalmente como pequenas clareiras dispersas, padrão associado aos sistemas extrativistas de menor impacto.

Fora da reserva, o cenário é diferente. O desmatamento apresenta áreas maiores e mais contínuas, concentradas principalmente ao longo de ramais e estradas estaduais. Os pesquisadores identificaram pontos de maior pressão nas proximidades de Xapuri e Brasiléia, onde a atividade pecuária forma áreas de avanço da ocupação em direção às bordas da unidade.

Embora o desmatamento acumulado corresponda a aproximadamente 10% da área da Resex e a cerca de 9% da área analisada no entorno, a distribuição espacial é distinta. Para os autores, essa diferença demonstra que a unidade não apenas reduz a intensidade da supressão florestal, mas também amortece e reorganiza espacialmente o avanço da fronteira agropecuária.

O estudo conclui que a Resex Chico Mendes permanece essencial para a conservação da floresta na região, mas alerta para a necessidade de fortalecer a governança comunitária e o controle sobre a abertura de ramais e a expansão agropecuária.

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