
Sena Madureira completa, nesta sexta-feira (25), 122 anos de fundação. Criado em 25 de setembro de 1904, o município carrega uma trajetória diretamente ligada à ocupação do território acreano, ao ciclo da borracha e aos rios que ajudaram a formar comunidades no interior da Amazônia.
Localizada na região do Purus e às margens do Rio Iaco, Sena Madureira tem atualmente 41.343 habitantes, conforme o Censo Demográfico de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O município possui uma extensa área territorial e mantém fortes relações econômicas e culturais com o extrativismo, a agricultura familiar, a pecuária e as comunidades rurais.
Uma história que começou antes de 1904
A formação da região onde hoje está Sena Madureira começou décadas antes da criação oficial da cidade. Segundo o histórico disponibilizado pelo IBGE, expedições de nordestinos chegaram à região por volta de 1861, em busca de áreas para exploração dos seringais.
Entre os nomes relacionados a esse período estão Manoel Urbano da Encarnação e João Gabriel de Melo. Enquanto Manoel Urbano percorreu áreas do Rio Purus, João Gabriel avançou pelos rios Acre e Iaco e seus afluentes. A partir de 1878, o povoamento ganhou força com a chegada de novos migrantes nordestinos, muitos deles fugindo das secas e buscando oportunidades na exploração da borracha.
A localização às margens dos rios foi determinante para o desenvolvimento da região. Durante décadas, as águas funcionaram como algumas das principais vias de deslocamento de moradores, trabalhadores e mercadorias, estabelecendo uma relação entre Sena Madureira e o Rio Iaco que permanece como parte da identidade local.
O nascimento de Sena Madureira
O marco oficial ocorreu em 1904. Naquele ano, o Decreto Federal nº 5.188, de 7 de abril, dividiu o então território acreano em três departamentos autônomos. O Departamento do Alto Purus passou a ter como primeiro prefeito departamental o general José Siqueira de Menezes, responsável por estabelecer uma sede administrativa.
Em 9 de julho de 1904, Siqueira de Menezes deixou Manaus com destino ao Acre. Depois de 74 dias de viagem, chegou, em 24 de setembro, à margem esquerda do Rio Iaco, nas terras do Seringal Santa Fé. O local foi escolhido para receber a sede do departamento.
Na manhã seguinte, em 25 de setembro de 1904, foi instalado o governo departamental e estabelecido o núcleo que daria origem à cidade.
O nome Sena Madureira foi escolhido em homenagem ao coronel Antônio Sena Madureira, militar brasileiro que participou da Guerra do Paraguai e por quem Siqueira de Menezes mantinha admiração.
Anos depois, em 1º de julho de 1912, Sena Madureira foi elevada oficialmente à condição de cidade.
Terra do Mandim e identidade sena-madureirense
Ao longo de mais de um século, o município construiu características próprias que ultrapassam os registros oficiais. Sena Madureira também ficou conhecida como “Terra do Mandim”, referência que se incorporou à identidade cultural da população.
A história local está presente nas comunidades às margens dos rios, nos seringais, na zona rural, no comércio, nas manifestações religiosas e culturais e nas famílias que atravessaram diferentes períodos da formação do Acre.
O próprio calendário cultural do município preserva eventos ligados à identidade local. Além do aniversário celebrado em 25 de setembro, registros estaduais destacam manifestações tradicionais e festividades realizadas ao longo do ano.
Hoje, Sena Madureira permanece entre os municípios de destaque do interior acreano. Sua economia reúne atividades como agricultura familiar, pecuária e extrativismo, mantendo características construídas desde os primeiros ciclos de ocupação da região.
Aos 122 anos, a história da cidade continua sendo escrita por milhares de sena-madureirenses que vivem tanto na área urbana quanto nas comunidades rurais e ribeirinhas.
De um núcleo administrativo estabelecido às margens do Rio Iaco em 1904 a uma cidade com mais de 41 mil habitantes, Sena Madureira chega a mais um aniversário preservando marcas de sua origem e de sua participação na própria formação histórica do Acre.














