
Acompanhando a tendência do Acre, segundo a atualização mais recente do InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Rio Branco voltou a apresentar nível de atividade de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em faixa de alerta, risco ou alto risco. O boletim desta quinta-feira (24), baseado nos dados da Semana Epidemiológica 37, de 13 a 19 de setembro, também aponta tendência de crescimento das hospitalizações na capital nas últimas seis semanas.
A mudança ocorre depois de um período de melhora nos indicadores. Nas semanas anteriores, Rio Branco havia deixado a faixa de maior incidência de SRAG e chegou a completar várias semanas fora dos níveis considerados de maior atenção. Agora, a capital volta a aparecer entre as localidades com crescimento da atividade respiratória.
De acordo com a Fiocruz, Rio Branco está entre apenas duas das 27 capitais brasileiras que apresentam simultaneamente nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco nas duas últimas semanas e sinal de crescimento na tendência de longo prazo. A outra é Porto Alegre (RS).
Crianças e idosos concentram aumento
O perfil observado em Rio Branco apresenta uma característica específica em relação ao conjunto do Acre. Segundo o boletim, o aumento da SRAG na capital ocorre principalmente entre crianças de até quatro anos e pessoas com 65 anos ou mais.
Esses dois grupos estão entre as faixas etárias que tradicionalmente apresentam maior impacto das doenças respiratórias graves. No cenário nacional, a incidência de SRAG nas últimas oito semanas permanece mais elevada entre crianças pequenas, enquanto a mortalidade é maior entre os idosos.
Na avaliação específica das unidades da Federação, a Fiocruz aponta que o aumento observado no Acre está associado principalmente ao rinovírus, especialmente entre crianças e adolescentes. O boletim também identifica crescimento nas faixas de 15 a 49 anos e acima dos 65 anos no estado.
Rinovírus domina cenário recente
A predominância do rinovírus ajuda a explicar o atual movimento das doenças respiratórias. Nas quatro últimas semanas epidemiológicas analisadas pelo InfoGripe, o vírus respondeu por 51,6% dos casos positivos de SRAG no país, muito à frente do VSR, com 20,4%, da Influenza B, com 6,7%, da Influenza A, com 3,9%, e do SARS-CoV-2, com 3,2%.
No Acre, a Fiocruz também identificou um leve aumento de SRAG associado à Covid-19, mas ressalta que a incidência permanece baixa. Portanto, o movimento observado atualmente em Rio Branco não pode ser atribuído exclusivamente ao coronavírus.
O quadro da capital também contrasta com a situação predominante no país. Enquanto Rio Branco aparece entre as capitais com crescimento da SRAG e nível elevado de atividade, o cenário nacional apresenta queda na tendência de longo prazo e estabilização ou oscilação no curto prazo.
A Fiocruz recomenda que os dados do InfoGripe sejam analisados em conjunto com outros indicadores da rede de saúde, como a ocupação de leitos. A instituição também alerta que os registros das semanas mais recentes podem sofrer alterações devido ao atraso na inserção das notificações no SIVEP-Gripe.







