
A presidente da Associação Comercial, Industrial, de Serviços e Agrícola do Acre (Acisa), Patrícia Dossa, avaliou os possíveis impactos do fim da escala de trabalho 6×1 — modelo em que o trabalhador exerce suas atividades durante seis dias e tem direito a um dia de descanso. Embora reconheça os benefícios da mudança para os trabalhadores, a representante do setor empresarial demonstrou preocupação com os reflexos econômicos da medida.
Em declaração ao Portal Acre, Patrícia destacou que a entidade considera positiva a proposta de redução da jornada de trabalho, principalmente pela possibilidade de proporcionar mais tempo para o convívio familiar e social.
“A Acisa vê com bons olhos a PEC 221/2019, sobretudo para a classe trabalhadora, possibilitando melhor convívio familiar, social e dignidade”, afirmou.
Apesar disso, a presidente ressaltou que o cenário econômico brasileiro exige cautela, especialmente diante dos custos que poderão ser assumidos pelas empresas com a alteração da jornada.
Segundo Patrícia, o fim da escala 6×1 poderá provocar um aumento de, no mínimo, 10% nas despesas com a folha de pagamento, estimativa apresentada pela entidade. Na avaliação dela, esse impacto poderá contribuir para a elevação dos preços de produtos e serviços.
A representante empresarial também alertou para as dificuldades que poderão ser enfrentadas por estabelecimentos comerciais que não conseguirem absorver os novos custos ou repassá-los aos consumidores.
“A empresa que não conseguir repassar os preços ao consumidor ou absorver bem os custos trabalhistas advindos da PEC e da reforma tributária irá sair do mercado”, declarou.
A manifestação da Acisa evidencia a preocupação do setor empresarial acreano em conciliar a melhoria das condições de trabalho com a sustentabilidade financeira dos estabelecimentos, especialmente diante das possíveis mudanças na legislação trabalhista.
A PEC 221/2019 foi aprovada pelo Senado na quarta-feira (14), em dois turnos, com 75 votos favoráveis e um contrário. O texto prevê a substituição da escala 6×1 pela 5×2, com redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição dos salários. A proposta segue para promulgação pelo Congresso Nacional.
A mudança deverá ocorrer gradualmente, permitindo um período de adaptação das empresas às novas regras. Até a promulgação e o início dos prazos previstos, a alteração ainda não estará em vigor.








