Rio Branco, 3 de outubro de 2026.

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Especialista aponta cinco sinais menos conhecidos da depressão que merecem atenção

Adriel chamou atenção para cinco sinais menos óbvios que podem estar relacionados à depressão – Foto cedida

A depressão nem sempre se manifesta apenas por meio de tristeza intensa, isolamento ou falta de disposição. Mudanças mais discretas no comportamento e na rotina também podem estar associadas ao sofrimento emocional e merecem atenção, principalmente quando persistem e começam a interferir na vida cotidiana.

Em entrevista exclusiva ao Portal Acre, o psicanalista, escritor e pesquisador Adriel Silva Weber chamou atenção para cinco sinais menos óbvios que podem estar relacionados à depressão e que, segundo ele, muitas vezes passam despercebidos no dia a dia.

Weber atua como gestor de Projetos Científicos do Centro de Pesquisa e Análises Heráclito (CPAH), onde participa de iniciativas de pesquisa relacionadas a temas como neurodiversidade e desenvolvimento humano. Ele possui formação em Física pela Unisinos, MBAs em Gestão de Projetos e Gestão de Pessoas e, atualmente, cursa Psicologia na Uniftec e mestrado em Neuropsicologia pela Universidad Europea del Atlántico. Também desenvolve atividades como palestrante e autor de livros relacionados à neurodiversidade e ao desenvolvimento infantil.

A discussão ganha espaço durante o Setembro Amarelo, período dedicado à conscientização sobre saúde mental e à prevenção do suicídio. Segundo Weber, algumas manifestações podem passar despercebidas justamente porque a pessoa continua trabalhando, estudando e cumprindo seus compromissos normalmente.

“A depressão é um dos grandes desafios de saúde mental da atualidade, mas identificar os primeiros sinais, inclusive aqueles menos conhecidos, é fundamental para que a pessoa possa buscar ajuda e iniciar o tratamento adequado”, afirmou.

Irritabilidade constante

Segundo o especialista, a depressão nem sempre se apresenta inicialmente como tristeza. Irritação frequente, impaciência e mudanças na maneira de reagir a situações cotidianas também podem acompanhar períodos de sofrimento emocional.

“A pessoa pode não dizer que está triste, mas pode apresentar uma mudança significativa na forma como reage ao mundo. A irritabilidade persistente também pode ser uma manifestação de sofrimento emocional”, explicou Weber.

Cansaço persistente

Outro ponto destacado é a sensação constante de esgotamento. Mesmo depois de períodos de descanso, tarefas simples podem exigir um esforço maior do que anteriormente.

O especialista ressalta que o cansaço pode ter diversas causas e, isoladamente, não caracteriza depressão. No entanto, quando permanece por um período prolongado e vem acompanhado de outras alterações emocionais ou comportamentais, uma avaliação profissional pode ser necessária.

Alterações no sono

Dormir muito mais que o habitual, enfrentar dificuldades para adormecer ou acordar repetidamente durante a noite também são mudanças que merecem ser observadas.

“O sono possui uma relação direta com o funcionamento emocional e cognitivo, por isso, alterações persistentes, principalmente quando acompanhadas de outras mudanças de comportamento, não devem ser ignoradas”, afirmou.

Perda de interesse por atividades

A redução do interesse ou do prazer em atividades anteriormente consideradas agradáveis também é apontada pelo especialista. Em alguns casos, a pessoa mantém sua rotina, participa de encontros ou continua praticando determinadas atividades, mas deixa de experimentar a mesma satisfação.

“Às vezes, a mudança acontece gradualmente. A pessoa continua fazendo as coisas porque precisa, mas deixa de sentir envolvimento ou prazer. Essa perda de interesse pode ser um sinal importante quando se mantém ao longo do tempo”, explicou.

Dificuldade de concentração e esquecimentos

Problemas para manter a atenção, organizar tarefas, tomar decisões ou lembrar informações também podem ocorrer durante períodos de sofrimento psicológico. Essas alterações podem ser confundidas com distração, sobrecarga ou queda de produtividade.

Weber pondera, entretanto, que nenhum desses sinais deve ser analisado de maneira isolada ou utilizado como forma de autodiagnóstico. Irritabilidade, alterações no sono, cansaço e problemas de concentração podem ter diferentes causas e também estar associados a outras condições de saúde ou circunstâncias da vida.

Quando essas mudanças persistem, provocam sofrimento ou começam a prejudicar o trabalho, os estudos, os relacionamentos e outras atividades cotidianas, a orientação é buscar avaliação de um profissional habilitado.

“O principal é não normalizar um sofrimento que está se prolongando. A saúde mental precisa ser observada com a mesma atenção que damos à saúde física. Quanto antes uma pessoa compreende que algo mudou e busca o suporte adequado, maiores são as possibilidades de lidar melhor com a situação”, concluiu Weber.

Além da atuação no CPAH, Weber trabalha com projetos como Gifted Debate, Neurogenomic e RG-TEA. Também é membro da Mensa Brasil e participa de seminários e grupos de pesquisa. Em sua produção como escritor e palestrante, aborda principalmente temas relacionados à neurodiversidade, desenvolvimento infantil e comportamento humano.

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