
A Região Norte apresentou, em 2025, a maior proporção de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil no Brasil. Eram aproximadamente 249 mil pessoas de 5 a 17 anos nessa condição, o equivalente a 6,3% da população regional nessa faixa etária. O percentual supera a média nacional, de 4%, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgados nesta sexta-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Embora o país tenha registrado redução no número de crianças e adolescentes submetidos ao trabalho infantil, a realidade regional evidencia que o problema continua atingindo uma parcela expressiva da população mais jovem no Norte. Em 2025, o Brasil contabilizou 1,499 milhão de pessoas de 5 a 17 anos nessa situação, uma queda de 9,2% em relação a 2024, quando havia cerca de 1,65 milhão.
A comparação entre as regiões mostra diferenças importantes. Depois do Norte, o Centro-Oeste registrou proporção de 4%, seguido pelo Nordeste, com 3,8%, e pelo Sudeste, com 3,3%, o menor percentual do país. Em números absolutos, entretanto, o Sudeste concentrou o maior contingente, com 481 mil crianças e adolescentes, seguido pelo Nordeste, com 408 mil.
Adolescentes mais velhos concentram os casos
Os dados do IBGE indicam que a incidência do trabalho infantil aumenta conforme a idade. No Brasil, a proporção foi de 1,1% entre crianças de 5 a 13 anos, subiu para 5,9% na faixa de 14 e 15 anos e chegou a 14,5% entre adolescentes de 16 e 17 anos.
Mais da metade das pessoas identificadas nessa condição no país tinha entre 16 e 17 anos, grupo que representava 58,1% do total. As crianças de 5 a 13 anos correspondiam a 18,7%, enquanto os adolescentes de 14 e 15 anos representavam 23,2%.
A distribuição também revela desigualdades sociais. Os meninos correspondiam a 65,4% das crianças e dos adolescentes em situação de trabalho infantil. Pretos e pardos representavam 67% desse contingente, proporção superior à participação desses grupos na população brasileira de 5 a 17 anos, de 59,7%.
Frequência escolar é menor entre quem trabalha
Outro aspecto destacado pelo levantamento é a diferença na frequência escolar. Em 2025, 86,9% das crianças e dos adolescentes em situação de trabalho infantil frequentavam a escola, enquanto o índice chegava a 97,5% no conjunto da população brasileira de 5 a 17 anos.
A diferença é particularmente preocupante porque o trabalho precoce pode comprometer o aprendizado, a permanência na escola e as oportunidades profissionais futuras. Entre adolescentes de 16 e 17 anos que estavam em situação de trabalho infantil, a proporção dos que frequentavam a escola era de 79,6%, abaixo dos 89,6% registrados para a população total dessa idade.
O levantamento também identificou 525 mil crianças e adolescentes envolvidos nas chamadas piores formas de trabalho infantil, que incluem atividades perigosas ou prejudiciais à saúde e ao desenvolvimento. O número representa uma redução de 6,3% em relação a 2024, quando havia 560 mil pessoas nessa condição.
Redução nacional não significa erradicação
Apesar do resultado positivo no país, o contingente de quase 1,5 milhão de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil evidencia a dimensão do desafio. A redução de 2025 foi a maior observada nos últimos anos e levou o indicador ao menor patamar da série histórica iniciada em 2016.
Entre os fatores associados à diminuição está a redução dos casos em famílias beneficiárias do Bolsa Família. Segundo o IBGE, o número de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil que viviam nesses domicílios caiu em 144 mil entre 2024 e 2025, respondendo por mais de 95% da redução nacional no período.
A legislação brasileira proíbe qualquer trabalho antes dos 16 anos, exceto na condição de aprendiz a partir dos 14. Para adolescentes de 16 e 17 anos, o trabalho é permitido desde que não seja noturno, perigoso ou insalubre, entre outras restrições legais.







