
O Acre contabilizou 443 vítimas de estupro de vulnerável entre janeiro e setembro de 2026, contra 337 no mesmo período do ano passado. O aumento foi de 31,5%, equivalente a 106 vítimas a mais, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Os números mostram que a violência sexual contra pessoas em condição de vulnerabilidade permanece como um importante desafio para a segurança pública no estado. Considerando os nove primeiros meses do ano, a média foi de aproximadamente 49 vítimas por mês, ou mais de uma vítima e meia por dia.
A maior parte das vítimas registradas em 2026 era do sexo feminino. Foram 396 mulheres, o equivalente a 89,4% do total. Outras 41 vítimas eram do sexo masculino, enquanto seis registros não apresentaram informação sobre o sexo.
A predominância feminina também chama atenção pela diferença entre os grupos: as mulheres representam quase nove em cada dez vítimas contabilizadas pelo sistema.
A classificação de estupro de vulnerável está prevista no artigo 217-A do Código Penal e compreende a prática de conjunção carnal ou outro ato libidinoso com menores de 14 anos. A legislação também enquadra nessa categoria situações envolvendo pessoas que, por enfermidade ou deficiência mental, não possuem o discernimento necessário para a prática do ato ou que, por outra condição, não podem oferecer resistência.
Por isso, os números do Sinesp não devem ser interpretados como um levantamento exclusivo de casos envolvendo crianças e adolescentes. A categoria abrange diferentes situações previstas na legislação penal.
Outro aspecto importante é que o crescimento dos registros não significa, necessariamente, que a violência tenha aumentado na mesma proporção. As estatísticas refletem os casos que chegaram ao conhecimento das autoridades e foram incorporados à base nacional, podendo também ser influenciadas por mudanças na notificação e no registro das ocorrências.
A dimensão dos números reforça a importância das políticas de prevenção, identificação e acolhimento de pessoas em situação de violência sexual, especialmente crianças, adolescentes e pessoas com dificuldades para comunicar ou denunciar os abusos.
O acompanhamento dos casos também depende da atuação integrada de órgãos de segurança, conselhos tutelares, unidades de saúde, escolas e serviços de assistência social, que desempenham papel importante na identificação de situações de violência e no encaminhamento das vítimas à rede de proteção.
Os dados utilizados no levantamento correspondem ao período de janeiro a setembro de cada ano e consideram o total de vítimas informado pelos órgãos estaduais ao Sinesp. As informações podem sofrer atualizações à medida que os registros do ano em curso são consolidados.








