A conselheira do Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC), Naluh Gouveia, fez um pronunciamento contundente contra a violência de gênero após o assassinato da médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, ocorrido na noite de segunda-feira (2), no município de Brasiléia, interior do Acre. Durante um evento que reuniu representantes de instituições e autoridades, a conselheira criticou a violência contra as mulheres e cobrou medidas mais eficazes de proteção às vítimas.
Em seu discurso, Naluh classificou o assassinato como um ato de covardia e destacou a necessidade de envolver os homens no enfrentamento à violência doméstica e ao feminicídio.
“Nós não aceitamos mais ter dono. Nós somos donas do nosso próprio destino, da nossa própria história. E não vamos admitir isso que a gente vê no estado”, declarou.
A conselheira também demonstrou preocupação com os casos de feminicídio registrados no Acre e criticou o que considera falhas na rede de proteção às mulheres que denunciam ameaças e agressões.
“As instituições não podem ficar caladas. Nossos socorros não estão sendo atendidos. Nossos socorros não estão chegando aonde devem chegar”, afirmou.
Durante a manifestação, Naluh fez duras críticas ao comportamento de homens que praticam violência contra mulheres, ressaltando que a sociedade precisa superar padrões culturais machistas. Ela também reconheceu a existência de homens que respeitam e apoiam as mulheres, convocando-os a participar ativamente do enfrentamento à violência.
A conselheira ainda abordou as consequências psicológicas enfrentadas pelas vítimas, destacando que as agressões podem deixar marcas permanentes, mesmo após a recuperação dos ferimentos físicos.
“Nós temos marcas na alma. Porque a da pele sai, o roxo sai, a marca sai. Mas a da alma não sai jamais”, disse.
Ao encerrar o pronunciamento, Naluh defendeu uma mudança cultural e pediu que os homens contribuam para a construção de uma sociedade baseada no respeito e na igualdade.
TCE-AC divulga nota de repúdio

Além do pronunciamento da conselheira, o Tribunal de Contas do Estado do Acre divulgou, na terça-feira (3), uma nota oficial de solidariedade aos familiares, amigos e colegas de profissão da médica Elyne de Assis Nogueira.
O documento, assinado pela presidente da Corte, Dulce Benício, e pela conselheira Naluh Gouveia, manifesta pesar pela morte da profissional e condena todas as formas de violência contra as mulheres.
Na manifestação institucional, o TCE-AC destacou que informações divulgadas sobre o caso apontam que a médica havia relatado ameaças e procurado proteção antes de ser assassinada.
O tribunal também defendeu uma apuração rigorosa das circunstâncias do crime e o fortalecimento das políticas públicas de prevenção, com investimentos e maior integração entre os órgãos responsáveis pelo atendimento às vítimas.
A nota cita dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, segundo os quais o Brasil registrou 1.561 vítimas de feminicídio em 2025, uma média superior a quatro mortes por dia.
Por fim, o TCE-AC informou que continuará acompanhando, dentro de suas competências institucionais, as políticas públicas destinadas à prevenção da violência e à proteção das mulheres no Acre.
Veja o vídeo:







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