
Na noite do dia 3 de junho de 2012, Xapuri viveu um dos episódios mais tristes de sua história: uma tragédia que, além de deixar três famílias enlutadas, reacendeu com força o debate sobre a urgência da construção de uma ponte sobre o Rio Acre ligando o centro da cidade ao bairro Sibéria.
Era por volta das 22h30 quando uma catraia que transportava pessoas que retornavam de um culto evangélico naufragou no porto da Sibéria após colidir com uma árvore submersa. A embarcação, que deveria transportar no máximo 10 passageiros, estaria levando, segundo informações da época, cerca de 20 pessoas, nenhuma delas usando colete salva-vidas.
Desapareceram nas águas Valderi Ângelo dos Santos, de 38 anos; Gilberto Alves do Nascimento, 58; e Natanael da Silva de Aragão, 17, todos moradores do bairro Sibéria. As mortes se somaram a outras centenas de situações ou circunstâncias em que a população do lado oposto da cidade se sentiu gravemente prejudicada pela falta da ponte.
A imagem que acompanha esta matéria mostra os destroços da embarcação naufragada que se tornou símbolo de um drama cotidiano enfrentado pelos moradores da Sibéria: a travessia arriscada, marcada por superlotação, ausência de equipamentos de segurança e total vulnerabilidade diante das condições imprevisíveis do rio.
Na mesma imagem, que é do dia seguinte ao acidente, uma cena chamou atenção: outra catraia, que navegava bem ao lado dos destroços, transportava nove pessoas. Quase todas finalmente vestiam coletes salva-vidas — uma proteção tardia, ativada apenas pelo medo provocado pela tragédia da véspera. Até então, o uso de equipamentos de segurança nunca havia sido uma prática comum, e tampouco exigida com rigor.
O naufrágio de 2012 expôs, com dolorosa clareza, que a travessia via catraias e a balsa — sujeitas a limitações de horário, superlotação, acidentes e precariedade operacional — não podia continuar sendo a única ligação da comunidade com o restante da cidade.
O episódio, amplamente repercutido na imprensa acreana, reacendeu o ativismo pela ponte, fortalecendo movimentos comunitários, ampliando o debate político e resgatando a voz de lideranças que há décadas defendiam a obra. A tragédia transformou uma demanda histórica em uma causa urgente, humana e incontornável.
A inauguração da Ponte da Sibéria, neste domingo, 23, marca não apenas o início de um novo ciclo de mobilidade e desenvolvimento para Xapuri, mas também o encerramento simbólico de uma fase dolorosa da vida da cidade que jamais deve ser esquecida e que deve ser celebrada em memória de tantas vidas perdidas na travessia do rio.







