
O novo episódio do Sem Filtro, podcast sobre entretenimento e empreendedorismo do Portal Acre, recebeu nesta terça-feira, 2, a psicóloga do luto Ofélia Contreiras que compartilhou sua história e falou como venceu uma fase muito difícil em sua vida: a perda de seus dois filhos.
Ofélia destacou que, primeiramente, é necessário buscar ajuda e fazer terapia para compartilhar o que estava vivendo e, assim, conseguir passar por essa dor tão grande para ela.
“Eu busquei ajuda e decidi não tomar remédios, porque a tristeza não se cura com remédio. Eu estava triste. Tem a diferença entre depressão e tristeza. A tristeza tem uma causa, eu estava triste porque eu tinha perdido um filho. Estava depressiva sim, mas eu a maioria das vezes era uma tristeza que precisava ser curada. E onde eu iria curar? A terapia. E foi o que eu fiz”, disse.
Além da terapia, a psicóloga afirma que o suporte da família também foi fundamental no processo.
“Em alguns momentos eu também quis sair daquele lugar. Sabe quando você fala assim: ‘Eu não quero estar aqui. Eu preciso sair por eles e por mim’. Então, eu busquei por ajuda e que essa dor do luto passa e que eu preciso continuar, que as lembranças que eu tenho vão ficar aqui e ninguém vai tirar, que é o luto simbólico. Simbolicamente, meus filhos permanecem em mim. Então, essa é uma saída”, afirmou.
Ofélia acrescentou ainda. “Porém, não é do dia para a noite, como todo mundo imagina. Às vezes, eu perguntava para uma amiga: ‘Essa dor passa?’ e ela respondia: ‘Passa’. E eu questionava: ‘Amanhã?’ e ela dizia: ‘Não Ofélia, anos’. E aquilo me angustiava por pensar que viveria aquilo por anos, mas eles passaram e eu vivi, e agora estou aqui”, complementou.
A psicóloga trabalha atendendo diversos tipos de pacientes, mas seu principal foco são aquelas pessoas que passaram por perdas parecidas com as suas.
“Eu sempre falo para eles que, hoje, não estou falando como profissional, mas como uma pessoa que passou pelo mesmo. Qualquer um que venha até a mim, eu acolho com muito carinho e nesse sentido mesmo, de se sentir à vontade, de falar dez vezes sobre aquilo que, muitas vezes para outras pessoas, se for falado será bobagem, besteira, porque eu ouvi que a minha história era boba e não iria me levar a lugar nenhum. Mas eu tinha essa necessidade de falar, por isso que eu deixo eles falarem”, compartilhou.
Outro ponto reforçado por Ofélia é a importância da terapia e, principalmente, falar sobre o luto como parte fundamental do processo de lidar com a perda.
“A terapia dá resultado positivo quando a pessoa se entrega. Não é frescura fazer terapia. Ela é cura e tem curado muitas pessoas. Mas é um processo. O luto é um processo que precisa ser trabalhado. E falar do luto não é ruim e, hoje, eu sei separar a profissional daquela que passou pelo luto. Não me abala mais. Eu sei separar, mas me comove”, finalizou.








