Rio Branco, 25 de agosto de 2026.

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Pesquisadora acreana vence Prêmio Para Mulheres na Ciência 2025 por estudos sobre queimadas na Amazônia

Sonaira durante trabalho de pesquisa sobre o impacto do uso do fogo como ferramenta agrícola no Acre: Foto acervo pessoal

A pesquisadora acreana Sonaira Silva, professora da Universidade Federal do Acre (Ufac) – Campus Floresta, em Cruzeiro do Sul, está entre as vencedoras do Prêmio Para Mulheres na Ciência 2025, uma das mais importantes premiações voltadas ao incentivo da participação feminina na produção científica no Brasil. A iniciativa é do Grupo L’Oréal no Brasil, em parceria com a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Unesco no Brasil, e reconhece pesquisas de excelência em diferentes áreas do conhecimento.

Coordenadora do Laboratório de Geoprocessamento Aplicado ao Meio Ambiente (LabGAMA), Sonaira desenvolve há mais de uma década estudos sobre o impacto do uso do fogo como ferramenta agrícola no Acre e na Amazônia. O laboratório é responsável por projetos estratégicos como o Acre Queimadas e o Monitoramento da Qualidade do Ar no Acre, este último em parceria com o Ministério Público do Estado (MPAC).

O projeto premiado investiga soluções para aprimorar o monitoramento das queimadas na Amazônia, prática ainda presente no manejo agrícola tradicional, mas que, diante do avanço do desmatamento, da renovação de pastagens degradadas e de atividades ilegais, tem resultado em incêndios cada vez mais frequentes e descontrolados. A pesquisa analisa áreas queimadas no Acre por meio da combinação de sensoriamento remoto, estudos de poluição do ar e inventários florestais, permitindo diferenciar queimadas agrícolas de incêndios florestais e compreender seus impactos sobre a floresta, o clima e o uso da terra.

Em seus levantamentos, a pesquisadora identificou 237.684 queimadas provocadas por ação humana, sendo 65% relacionadas à atividade agrícola, dados que ajudam a dimensionar a gravidade do problema e a orientar políticas públicas de prevenção, fiscalização e adaptação.

Reconhecimento nacional e internacional

Cerimônia de premiação acontece nesta quinta-feira, no Rio de Janeiro: Foto acervo pessoal

O prêmio concedido a Sonaira integra a edição que marca os 20 anos do programa Para Mulheres na Ciência no Brasil. Em 2025, oito pesquisadoras foram contempladas com bolsas de R$ 50 mil, distribuídas entre as áreas de Ciências da Vida, Ciências Físicas, Ciências Químicas, Ciências Matemáticas e, pela primeira vez, Ciências da Engenharia e Tecnologia. Ao longo de duas décadas, mais de 140 pesquisadoras já foram premiadas, com investimentos superiores a R$ 7 milhões em projetos científicos no país.

Na categoria Ciências da Vida, ao lado de Sonaira, também foram reconhecidas as pesquisadoras Jaqueline Sachett, Juliana Hipólito e Luana Rosatto. A cerimônia de premiação está marcada para o dia 4 de dezembro, em evento fechado no Palácio da Cidade, no Rio de Janeiro.

A diretora de Pesquisa Avançada e Comunicação Científica do Grupo L’Oréal para a América Latina, Cristina Garcia, destacou que a ciência é uma das principais ferramentas para enfrentar desafios sociais, ambientais e tecnológicos, ressaltando que investir em mulheres cientistas é investir em diversidade, inovação e impacto social.

“Neste ano que celebramos 20 anos do Para Mulheres na Ciência no Brasil, reafirmamos o compromisso histórico do Grupo L’Oréal com o avanço da ciência e com o protagonismo feminino. A ciência é uma das ferramentas mais poderosas que temos para enfrentar desafios sociais, ambientais e tecnológicos”, afirmou em divulgação do grupo.

Trajetória marcada pelo pioneirismo

Em 2024, se tornou a primeira cientista do Acre a ser filiada a Academia Brasileira de Ciências: Foto acervo pessoal

O reconhecimento nacional soma-se a outra conquista histórica da pesquisadora. Em 2024, Sonaira Silva foi diplomada como membro afiliado da Academia Brasileira de Ciências (ABC) da Região Norte, para o período 2024–2028, tornando-se a primeira cientista do Acre a receber essa honraria. A solenidade ocorreu na Universidade Federal de Rondônia (Unir), em Porto Velho.

Na ocasião, a pesquisadora destacou a força transformadora da ciência em sua vida e na trajetória de tantos jovens. “A ciência transformou minha vida e dá oportunidade para tantos outros jovens de transformarem suas vidas a partir de evidências e conhecimento com a discussão crítica e ética”, afirmou.

Referência em estudos sobre queimadas e incêndios florestais no Acre, Sonaira utiliza imagens de satélite para mapear e identificar áreas afetadas, além de investigar fatores como secas, variações de temperatura, uso da terra e desmatamento, apontando os vínculos diretos entre ação humana, degradação ambiental e impactos à saúde pública.

Com a conquista do Prêmio Para Mulheres na Ciência 2025, a pesquisadora consolida o Acre no mapa da ciência de excelência produzida na Amazônia e reafirma o papel estratégico das universidades públicas e da pesquisa científica no enfrentamento dos desafios ambientais da atualidade.

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