
Enquanto o país discute inflação, reforma tributária e se o feijão deve ser por cima ou por baixo do arroz, nossos representantes em Brasília estão ocupadíssimos, protagonizando aquele reality show que ninguém pediu pra ver, mas todo mundo assiste, comenta, analisa, julga, cria teorias e acorda cedo para seguir acompanhando o episódio do dia.
A exposição e a arte de transformar o privado em público, e o público em entretenimento. Afinal, se existe algo que une perfeitamente a vida conjugal, as artes visuais e a política, é o chifre.
Essa semana, assistimos com vergonha alheia, o que parecia ser uma novela mal produzida, sem intervalo e com roteiro escrito por alguém que, claramente, desistiu de tentar fazer sentido.
O lado bom, imagino eu, é que se os políticos estão botando chifre entre eles, ao menos não estão botando na gente, pelo menos por 5 minutos. Isso porque se analisarmos bem, nesse trisal de mandatos, o verdadeiro chifre democrático quem recebe somos nós, eleitores, a cada eleição com promessas não cumpridas.
Agora, como as coisas andam estranhas e sem sentido ultimamente, não me surpreenderia alguém vir com a ideia de criar a CPI da Infidelidade. Imagina a cena: depoimentos dramáticos, planilhas com amantes e partidos, gráficos mostrando quem traía mais — e, claro, cada vereador ou deputado tentando se esquivar dizendo que “era só amizade colorida partidária”.
No final das contas, caros leitores, quando o assunto é chifre, somos um país de investigadores emocionais não remunerados, sempre prontos para instaurar uma CPI sentimental na vida alheia, com direito a sabatina, relatório detalhado e votação popular nas redes socias.
Lane Valle é fonoaudióloga, jornalista e colaboradora do Portal Acre.







