Rio Branco, 18 de abril de 2026.

Sem fronteiras 4

Chega de Empoderamento! Só quero um cochilo…

Outro dia acordei empoderada. Não porque eu quis, longe disso. Mas porque, aparentemente, o mundo decidiu que ser mulher hoje tem que vir com um kit básico de autoestima, independência financeira, cabelo impecável, um milhão de projetos pessoais e a obrigação de arrasar o tempo inteiro.

Ah, sim. Não vamos esquecer que além de tudo isso deve vir junto naquele “starter pack” que ninguém me avisou que eu tinha assinado, ser mãe solo também.

Tem que diga por aí, que nós mulheres podemos conquistar tudo. Eu, particularmente mal consigo conquistar um domingo de descanso. A tal da mulher empoderada acorda às 7h, faz yoga, lê 30 páginas de um livro sobre liderança feminina, prepara um café da manhã nutritivo e ainda posta um story com a legenda: “Vamos com tudo, deusas!.

Eu, por outro lado, acordo às 5h20 graças ao terceiro alarme, tomo café quando me oferecem no trabalho e posto um story mental, silencioso, dizendo: “Socorro, Deus…”.

Se eu estou cansada? Sim. Empoderada? Talvez. Porque percebi que ultimamente empoderamento virou mais cobrança do que liberdade. É como se esperassem que eu fosse CEO, musa fitness, PhD em relações humanas, pau pra toda obra, mãe 24h e ainda tivesse tempo para meditar, agradecer ao universo e passar protetor solar fator 500.

Cá entre nós, não seria legal, nobres leitoras, um adendo, o artigo de hoje está bem “Clube da Luluzinha”, esse tal de empoderamento feminino vir incluso com um vale-massagem, um voucher para sumir por três dias sem explicação, talvez. Ou simplesmente o direito de não querer vencer o mundo hoje.

Afinal, nunca quis brigar com ninguém pra conquistar o mundo, eu sempre quis mesmo é ser amiga do meu Leão de todo dia e sair por aí fazendo compras ou simplesmente não fazendo nada com ele; é pedir muito, produção?

No fim das contas, acho que empoderamento virou aquilo que as revistas chamam de “tendência”, igual franja curta: fica lindo nas outras, mas em mim dá trabalho e arrependimento.

O meu conceito de empoderamento, no momento, é bem simples. Envolve apenas fazer o que eu quiser, do jeito que puder e sem ter que parecer uma versão purpurina, Mulher Maravilha, de mim mesma.

Então, leitoras queridas, fica aqui a minha proposta de empoderamento sustentável: menos pressão, menos expectativa, mais cochilo.

E caso queiram me chamar para uma marcha de “mulheres cansadas porém conscientes”, estou dentro. Porque no momento, o máximo que consigo empoderar é o botão “pular anúncio” do YouTube, e olhe lá. Às vezes erro e clico no link patrocinado (ódio).

Então é isso, migas. Preciso ir. O mundo não vai se conquistar sozinho, e eu também não, porque antes de qualquer revolução, eu preciso urgentemente de um cochilo.

Vejo vocês no próximo final de semana. Até lá.

Lane Valle é fonoaudióloga, jornalista e colaboradora do Portal Acre.

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