Rio Branco, 22 de maio de 2026.

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Quando a tecnologia vira armadilha: os perigos da inteligência artificial nas eleições de 2026 – Por Thalles Sales

Advogado alerta para o perigoi das campanhas de desinformação no período eleitoral – Foto: acervo pessoal

Por Thalles Sales

A cada ciclo eleitoral, a tecnologia promete transformar a forma como nos informamos, como tomamos decisões e como participamos da vida democrática. Mas, em 2026, essa promessa carrega um lado obscuro, e a inteligência artificial (IA) está no centro dessa tensão.

O fenômeno dos deepfakes e das campanhas de desinformação não são mais hipóteses distantes. Recentemente, em meio à prisão de Nicolás Maduro (um acontecimento que dominou as redes globais) surgiram milhares de imagens e vídeos falsos criados ou amplificados por ferramentas de IA que distorcem a realidade e confundem o público.

Conteúdos falsos que circulam como verdade sobre a captura de Madur­o viralizaram em plataformas como X, Instagram e TikTok, misturando imagens reais e geradas por IA de maneira praticamente indistinguível para muitos usuários.

Imagine agora esse tipo de manipulação voltado para um pleito eleitoral que está se aproximando.

Ge­rações de conteúdo falso podem ser produzidas em massa, microdirecionadas a grupos específicos de eleitores, adaptando mensagens com precisão cirúrgica.

E isso não é ficção científica: campanhas coordenadas de desinformação já exploram IA para difundir narrativas contraditórias e desestabilizadoras em momentos de crise.

O impacto dessa avalanche de falsificações vai muito além da confusão momentânea: ela corrói a confiança nas instituições, alimenta teorias conspiratórias e cria uma atmosfera em que parte considerável das pessoas expostas a uma desinformação sequer encontram a desmentida.

Quando “tudo pode ser falso”, o resultado é uma erosão da base mínima de confiança necessária para um debate democrático saudável.

E o mais preocupante: a tecnologia está acessível a qualquer um. Ferramentas que produzem vídeos e áudios enganosos já estão ao alcance de grupos políticos, partidos ou até atores mal-intencionados e sem supervisão.

Isso representa um risco direto ao processo eleitoral: eleitores podem ser influenciados por “provas” fabricadas de promessas, escândalos ou falas infundadas atribuídas a candidatos ou adversários.

Diante disso, o alerta não deve ser apenas técnico, mas institucional, de modo que candidatos, partidos, o Ministério Público e a Justiça Eleitoral não podem tratar a IA como um truque isolado ou novidade passageira

É preciso investir em mecanismos ágeis de verificação, em parcerias com plataformas digitais e em campanhas públicas que ensinem o eleitor a questionar e verificar antes de compartilhar.

Ao mesmo tempo, não se trata de demonizar a inteligência artificial, mas de administrar seu poder disruptivo com responsabilidade. A IA tem potencial para melhorar a informação (filtrando conteúdos falsos, automatizando checagens e tornando dados eleitorais mais acessíveis).

Todavia, sem regras, fiscalização e educação digital, ela pode se transformar em uma arma poderosa contra a própria democracia.

Estamos a poucos meses de um ciclo eleitoral que promete ser marcado por polarização e competição acirrada. Se não nos anteciparmos ao uso indevido da IA, o resultado pode ser um processo onde a decisão do eleitor não será apenas sobre propostas ou projetos de governo, mas sobre qual realidade ele escolhe acreditar!


Thalles Sales é advogado, especialista em Direito Público e Direito Eleitoral.

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