Rio Branco, 2 de maio de 2026.

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Inclusão e representatividade: fábula com capivara como personagem principal é a primeira obra voltada para Literatura Surda

A Universidade Federal do Acre (Ufac) tem, pela primeira vez, uma obra voltada para a Literatura Surda. Com o título “Capivara Surda”, o livro será lançado no dia 5 de março, às 18h30, no Auditório Taddei Melo, no Centro de Convenções da Ufac.

A obra é de autoria da professora de Literatura, no curso de Libras da Ufac, Ianelle Vital de Melo, nasceu de um incômodo e necessidade observado pela docente.

“Ela surgiu dentro da Universidade Federal do Acre, em um espaço simples, cotidiano, onde pessoas se encontram para lanchar, conversar e dividir o tempo no quiosque das capivaras. Foi ali que percebi algo que me inquietou, o isolamento dos acadêmicos surdos, a dificuldade de comunicação com colegas ouvintes e com professores, a ausência de acessibilidade onde deveria haver encontro”, compartilhou.

Para Ianelle, a universidade é um espaço de diálogo. “Mas como dialogar quando a língua do outro não é compreendida? Essa pergunta foi me atravessando silenciosamente até se transformar em história. Assim surgiu a Capivara Surda!”, disse.

Segundo a autora, a escolha da capivara tem como objetivo trazer representatividade. “É uma personagem que carrega a Amazônia no corpo e a Libras no dia a dia. Ela é surda, e a sua língua majoritária é a Língua Brasileira de Sinais. Mais do que querer ser incluída, ela deseja incluir e aproximar os animais dos humanos”, detalhou.

O livro contém cerca de 46 páginas e será lançado, inicialmente, somente no formato físico. A autora da obra conta ainda que, a escolha do texto como fábula se deve ao alcance onde, muitas vezes, o discurso não chega.

“Por intermédio dessa narrativa, a Libras entra na universidade não como obrigação, mas como convite literário. Um chamado para olhar, aprender, sinalizar, respeitar, compreendendo que a promoção da acessibilidade não é favor, é direito”, afirmou.

A obra “Capivara Surda” tem como objetivo, de acordo com Ianelle, chamar não somente a Ufac, mas como outras universidades, a serem espaços que permitam a existência e a inclusão de todos.

“Serem, de fato, os espaços onde ninguém precise se silenciar para existir. Onde a língua de sinais seja vista, aprendida e valorizada. Essa obra não nasceu apenas para contar uma história. Ela veio para alargar caminhos, provocar escutas e lembrar que a inclusão começa quando queremos, de fato, nos colocar no lugar do outro”, defendeu.

Veja o vídeo com a apresentação de exemplares da obra.

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