Rio Branco, 25 de maio de 2026.

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Formado na UFAC, médico acreano é um dos 7 do país, entre mais de 80 mil, a alcançar a nota máxima no Enare

Marcelo em atendimento no interior da Bahia – Foto acervo pessoal

Em 2007, com apenas 17 anos, o acreano Marcelo da Costa Rocha prestou o vestibular de Medicina da Universidade Federal do Acre (Ufac) e foi aprovado. Aos 35 anos, em 2026, é destaque no Exame Nacional de Residência (Enare), com média 1000, a maior dentro do sistema.

A residência médica é considerada um programa de pós-graduação e é responsável por conceder o título de especialista aos médicos formados. Na edição 2025/2026, mais de 80 mil médicos prestaram o processo seletivo que permite que os profissionais escolham a área e o local onde desejam se especializar, o que torna o feito do acreano ainda mais simbólico.

Somente 7 profissionais foram aprovados para a residência com nota 1000. Além da dedicação e comprometimento com a profissão, Marcelo Rocha afirma que sempre teve o apoio e a interferência positiva do ciclo familiar.

“Minha história na Medicina é uma influência direta da minha família. Minha bisavó, Maria Moreira, foi uma das primeiras parteiras da maternidade Bárbara Heliodora, e meu avô, Roraima Moreira, foi um dos primeiros bioquímicos/farmacêuticos da região. Meus pais também, que são professores por formação, e sempre colocaram a educação dos filhos como prioridade”, compartilhou.

O médico relembra que, quando decidiu prestar o vestibular de Medicina na federal do Acre, a alta demanda pela formação foi um de seus desafios. “À época, eu só tinha 17 anos, me inscrevi e concorri com alunos que, naquele período, vinham de caravanas de ônibus de outros estados. Mas tenho gratidão a Deus por ter conseguido essa oportunidade, porque com essa aprovação, tive a melhor formação possível”.

Marcelo Rocha ainda cita professores que foram essenciais para a sua jornada profissional, como a Dra. Rita Uchôa e o Dr. Giovanni Casseb, reconhecidos no estado pelas atuações na área de Infectologia e Nutrologia, respectivamente.

Atualmente, o médico reside em Ribeira do Pombal, na Bahia.

“Infelizmente, não tive muitas oportunidades no Acre e precisei procurar opções de trabalho longe de casa, e a Bahia me recebeu de braços abertos, e sou muito grato por isso, e aí peguei os primeiros plantões em hospitais, UPAs e URAPs, mas comecei a sentir falta do cuidado continuado que a atenção básica oferece, que essa oportunidade de acompanhar o paciente, ver a evolução e proporcionar um cuidado realmente pessoa, com tempo adequado para exercer uma medicina social de qualidade”, acrescenta.

Foi com essa perspectiva que o acreano se mudou para a cidade de Tucano, também na Bahia. “Fui aprovado no programa Mais Médicos e passei a atuar no povoado de Tracupá, com cerca de 5 mil habitantes, no sertão baiano. E fui percebendo uma demanda por atendimentos psiquiátricos, e isso foi me tocando de maneira particular”.

Em entrevista, Marcelo destacou a importância do atendimento continuado proporcionado pela atenção básica – Foto: acervo pessoal

O interesse pela área motivou a decisão de prestar residência em Psiquiatria, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no Instituto de Psiquiatria do campus, após a aprovação no Enare.

“Eu me perguntava como um ser humano, em plena capacidade física, podia, muitas vezes, se encontrar acamado, sem capacidade de trabalho ou até mesmo mudar totalmente suas características pessoais em decorrência de uma doença psiquiátrica. Com isso em mente, e na expectativa de poder contribuir para mitigar esse sofrimento, resolvi prestar a prova de residência em Psiquiatria”.

Marcelo confessa que, no momento de preparação para o exame, sentiu medo. “Decidi retornar à rotina de preparação do vestibular depois de quase uma década formado, diante uma explosão desenfreada de novos cursos de Medicina e da concorrência cada vez mais acirrada, agora com o desafio de concorrer com colegas médicos de todas as escolas do Brasil. Tive receio e medo de estar velho demais ou de não ter mais plena capacidade cognitiva de competir com uma geração mais nova a pleno vapor”, comentou.

O médico acreano começou a rotina de estudos no tempo livre e provou a si mesmo que estava errado. Com um alto desempenho, pode escolher o instituto que é um dos pioneiros no Brasil no segmento, com mais de 80 anos de história e sendo referência nacional em recursos terapêuticos, acadêmicos e humanos.

“Tirar 1000 no Enare é uma superação das adversidades impostas pela vida cotidiana e pelas demandas da vida adulta. Demonstra o poder transformador da educação que, quando valorizada, gera frutos duradouros. Representa gratidão à minha família e à minha esposa, que me deu suporte e apoio durante todo o processo, esperança para as pessoas do Acre, que muitas vezes duvidam das capacidades do nosso estado e dos recursos que temos. Como diria Pia Villa em suas canções: Faz teu povo te considerar, ensina teu povo a lutar e amar”, disse.

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