
Mileny Andrade (estagiária), sob supervisão de Leônidas Badaró
O Acre deve contabilizar 1.170 novos casos de câncer entre 2026 e 2028, segundo a mais recente estimativa divulgada pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca). Os dados fazem parte do levantamento nacional que projeta, em média, 781 mil novos diagnósticos da doença por ano no Brasil no mesmo período.
No estado, o cenário evidencia um desafio persistente para o sistema de saúde: o diagnóstico tardio e as dificuldades no acesso à prevenção e ao rastreamento, especialmente em tipos de câncer que poderiam ser evitados ou tratados precocemente.
Perfil do câncer no Acre reflete desafios na prevenção
Do total estimado, 970 casos correspondem a neoplasias malignas, enquanto 200 são de câncer de pele não melanoma, o tipo mais frequente no estado. A distribuição dos dados revela a predominância de tumores que exigem políticas públicas contínuas de prevenção, informação e ampliação do acesso aos exames.
Entre os cânceres mais incidentes no Acre estão os de mama feminina, próstata, colo do útero, pulmão e cavidade oral, além de tumores do aparelho digestivo, sistema nervoso central e sistema linfático.
Estimativa de novos casos de câncer no Acre (2026–2028)
● Todas as neoplasias malignas: 1.170
● Todas as neoplasias : 970
● Pele não melanoma: 200
● Mama feminina: 100
● Próstata: 90
● Cólon e reto: 60
● Traqueia,brônquio e pulmão: 90
● Estômago: 40
● Colo do útero: 90
● Cavidade oral: 70
● Glândula tireóide: 40
● Pâncreas: 20
● Bexiga: 20
● Linfoma não Hodgkin: 20
● Fígado: 40
● Leucemias: 40
● Sistema nervoso central: 20
● Esôfago: 30
● Corpo do útero: 10
● Pele melanoma: 20
Doenças evitáveis ainda pesam nas estatísticas
Os números chamam atenção para a presença expressiva de cânceres considerados amplamente preveníveis, como o câncer do colo do útero, que segue entre os mais incidentes no estado. A doença pode ser evitada com a vacinação contra o HPV e com a realização regular de exames preventivos.
A vacina contra o HPV está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para meninas e meninos de 9 a 14 anos, além de outros públicos específicos, como usuários da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP).
Outro ponto de alerta é o câncer de estômago, associado a fatores socioeconômicos, infecções e, principalmente, ao diagnóstico em estágios avançados, o que compromete as chances de tratamento.
Mortalidade revela contraste entre incidência e letalidade
Embora o levantamento tenha como foco principal os novos casos, os dados de mortalidade ajudam a dimensionar o impacto da doença no país. No Brasil, os cânceres de traqueia, brônquio e pulmão seguem como os que mais causam mortes, mesmo com a redução gradual observada nos últimos anos.
Tipos de câncer que mais causam óbitos no Brasil:
1º – Traqueia, brônquio e pulmão: 31.237
2º – Cólon e reto: 23.953
3º – Mama feminina: 20.165
4º – Próstata: 17.258
5º – Estômago: 14.823
6º – Pâncreas: 13.507
7º – Fígado: 11.199
8º – Sistema nervoso central: 10.206
9º – Esôfago: 8.488
10º – Leucemias: 7.435
O contraste reforça um dos principais desafios da oncologia: os cânceres mais comuns nem sempre são os mais letais, enquanto tumores como os de pulmão e intestino seguem com altos índices de mortalidade por serem descobertos tardiamente.
No Acre, os dados reforçam a urgência de investimentos contínuos em prevenção, informação e estrutura de diagnóstico, fundamentais para mudar o cenário projetado para os próximos anos.








