O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom anunciou nesta sexta-feira, 13, investimentos de R$51,5 milhões no sistema de abastecimento de água da capital. Os recursos são oriundos da arrecadação do Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb) e de recursos próprios do município.
De acordo com a gestão, o investimento será destinado, entre outras ações, à construção e ampliação de reservatórios e à setorização do sistema em Rio Branco.
Durante o anúncio, o prefeito destacou que a cidade possui atualmente cerca de sete horas de capacidade de reservação e que, com os novos reservatórios, esse tempo deve ultrapassar 12 horas.

“Rio Branco tem uma capacidade de reservação de aproximadamente sete horas. Com esses novos reservatórios que vamos construir, com recurso próprio do Saerb e da Prefeitura, vamos passar para mais de 12 horas. Ou seja, vamos aumentar em mais de cinco horas a reservação”, afirmou.
Segundo o gestor, a ampliação busca evitar novos episódios de desabastecimento causados por problemas técnicos.
“A gente sabe que é um problema, porque bomba quebra, dá problema na captação, dá problema na produção. Quando você para uma bomba dessas, se você não tem reserva, é claro que vai faltar água. Então o objetivo é esse. Fazendo esses novos reservatórios, que me parece que são cinco, vamos ter pelo menos mais cinco horas de água quando uma bomba parar”, explicou.
O prefeito também afirmou que a meta futura da gestão é alcançar abastecimento 24 horas. “Se Deus quiser, o projeto é esse no futuro, 24 horas. Estamos agora perfurando os primeiros poços. Dando bom resultado, vamos continuar com essa alternativa, que é poço ao invés de ficar só no rio. Também já estamos discutindo a questão de lagoas, para ter um conjunto de opções para trabalhar a água em Rio Branco e não deixar faltar no futuro”, declarou.
Privatização
O diretor-presidente do Saerb, Enoque Pereira, também comentou sobre a possibilidade de privatização do sistema e afirmou que a medida dependeria de debate com a sociedade.

“Para poder privatizar é necessário um debate com a própria sociedade. A privatização é de 35 anos de concessão, ou seja, é uma geração e meia, são os nossos filhos e os filhos dos nossos filhos pagando essa conta”, disse.
Segundo Pereira, uma empresa privada teria como foco o lucro, o que poderia impactar diretamente o valor da tarifa.
“Quando a empresa pega o sistema para tocar, ela visa o lucro. Vai custear a despesa, pagar empréstimos e ainda ter lucro. A nossa tarefa hoje, para atender essa demanda, teria que multiplicar por quatro ou cinco o que é hoje”, afirmou.
Enoque destacou ainda os desafios estruturais da rede de abastecimento da capital.
“Rio Branco não é uma cidade redonda. Temos redes com 40 anos enterradas que precisam ser trocadas. Se aumentar dois metros de coluna d’água, a rede quebra. Se diminuir um pouco, não chega água na ponta. A gente fica entre quebrar e chegar água. Isso é constante, é o nosso dia a dia”, relatou.
O diretor-presidente ainda afirmou que o investimento anunciado demonstra a capacidade da autarquia de investir mesmo com a menor tarifa entre as capitais do país.
“Com esse investimento, estamos sinalizando que, mesmo com a menor tarifa entre as capitais do Brasil, estamos conseguindo investir. Se a sociedade entender que é necessário pagar a conta, certamente não teremos privatização”, declarou.
O presidente do Saerb também afirmou que o prefeito é contrário à privatização e destacou os valores investidos nos últimos anos. “O prefeito Bocalom é totalmente contrário à privatização. A Prefeitura investiu R$ 221 milhões nesses quatro anos, além do custeio com energia e salário. E este ano, pela primeira vez, vamos conseguir investir com recurso da própria arrecadação. É histórico. É o maior investimento depois do PAC, em 2011 e 2012, feito em Rio Branco, e sem recurso federal, somente recurso do próprio município”, concluiu.








