Rio Branco, 31 de maio de 2026.

Aleac não se omita

“Maior investimento sem recurso federal”, prefeitura anuncia R$51,5 milhões em investimentos no SAERB

O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom anunciou nesta sexta-feira, 13, investimentos de R$51,5 milhões no sistema de abastecimento de água da capital. Os recursos são oriundos da arrecadação do Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb) e de recursos próprios do município.

De acordo com a gestão, o investimento será destinado, entre outras ações, à construção e ampliação de reservatórios e à setorização do sistema em Rio Branco.

Durante o anúncio, o prefeito destacou que a cidade possui atualmente cerca de sete horas de capacidade de reservação e que, com os novos reservatórios, esse tempo deve ultrapassar 12 horas.

Prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom. Foto: Everton Monteiro

“Rio Branco tem uma capacidade de reservação de aproximadamente sete horas. Com esses novos reservatórios que vamos construir, com recurso próprio do Saerb e da Prefeitura, vamos passar para mais de 12 horas. Ou seja, vamos aumentar em mais de cinco horas a reservação”, afirmou.

Segundo o gestor, a ampliação busca evitar novos episódios de desabastecimento causados por problemas técnicos.

“A gente sabe que é um problema, porque bomba quebra, dá problema na captação, dá problema na produção. Quando você para uma bomba dessas, se você não tem reserva, é claro que vai faltar água. Então o objetivo é esse. Fazendo esses novos reservatórios, que me parece que são cinco, vamos ter pelo menos mais cinco horas de água quando uma bomba parar”, explicou.

O prefeito também afirmou que a meta futura da gestão é alcançar abastecimento 24 horas. “Se Deus quiser, o projeto é esse no futuro, 24 horas. Estamos agora perfurando os primeiros poços. Dando bom resultado, vamos continuar com essa alternativa, que é poço ao invés de ficar só no rio. Também já estamos discutindo a questão de lagoas, para ter um conjunto de opções para trabalhar a água em Rio Branco e não deixar faltar no futuro”, declarou.

Privatização

O diretor-presidente do Saerb, Enoque Pereira, também comentou sobre a possibilidade de privatização do sistema e afirmou que a medida dependeria de debate com a sociedade.

Para Enoque Pereira, privatização depende de diálogo com a sociedade. Foto: Everton Monteiro

“Para poder privatizar é necessário um debate com a própria sociedade. A privatização é de 35 anos de concessão, ou seja, é uma geração e meia, são os nossos filhos e os filhos dos nossos filhos pagando essa conta”, disse.

Segundo Pereira, uma empresa privada teria como foco o lucro, o que poderia impactar diretamente o valor da tarifa.

“Quando a empresa pega o sistema para tocar, ela visa o lucro. Vai custear a despesa, pagar empréstimos e ainda ter lucro. A nossa tarefa hoje, para atender essa demanda, teria que multiplicar por quatro ou cinco o que é hoje”, afirmou.

Enoque destacou ainda os desafios estruturais da rede de abastecimento da capital.

“Rio Branco não é uma cidade redonda. Temos redes com 40 anos enterradas que precisam ser trocadas. Se aumentar dois metros de coluna d’água, a rede quebra. Se diminuir um pouco, não chega água na ponta. A gente fica entre quebrar e chegar água. Isso é constante, é o nosso dia a dia”, relatou.

O diretor-presidente ainda afirmou que o investimento anunciado demonstra a capacidade da autarquia de investir mesmo com a menor tarifa entre as capitais do país.

“Com esse investimento, estamos sinalizando que, mesmo com a menor tarifa entre as capitais do Brasil, estamos conseguindo investir. Se a sociedade entender que é necessário pagar a conta, certamente não teremos privatização”, declarou.

O presidente do Saerb também afirmou que o prefeito é contrário à privatização e destacou os valores investidos nos últimos anos. “O prefeito Bocalom é totalmente contrário à privatização. A Prefeitura investiu R$ 221 milhões nesses quatro anos, além do custeio com energia e salário. E este ano, pela primeira vez, vamos conseguir investir com recurso da própria arrecadação. É histórico. É o maior investimento depois do PAC, em 2011 e 2012, feito em Rio Branco, e sem recurso federal, somente recurso do próprio município”, concluiu.

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