
Dados do Painel de Acompanhamento de Registros de Ocorrências de Estupros de Estupros de Vulneráveis no Estado do Acre, elaborado pelo Ministério Público do Acre (MPAC), com números do Sistema Nacional de Informações da Segurança Pública (Sinesp) e da Polícia Civil do Acre (PCAC), apontam que, em 2026, o estado já registra 152 casos de estupro e estupro de vulnerável, nos meses de janeiro e fevereiro.
Em janeiro foram 81 casos, e em fevereiro, o levantamento aponta 71 registros, uma média de aproximadamente cinco casos por dia. Desses, a maioria são episódios de estupro de vulnerável, com 73% das ocorrências. A maior parte dos casos acontece na Regional Baixo Acre, sendo 81 casos em Rio Branco (53,29%), 14 em Senador Guiomard (9,21%) e 10 em Cruzeiro do Sul (6,58%).
A média é absurda. O número de 152 casos registrados nos dois primeiros meses deste ano mostra que a cada dia, mais de duas pessoas, principalmente vulnerável, é estuprada no Acrre.
Os dados refletem o mesmo padrão de 2025, quando o estado encerrou o ano com 1.118 ocorrências de estupro (19,59%) e estupro de vulnerável (80,41%). No período, o mês com o maior número de registros foi julho, com 125 casos. No ano passado, a média foi ainda maior, chegando a 3 estupros por dia no Acre.
Subnotificação “esconde” números reais
Infelizmente, há um consenso de que o número de casos reais seja ainda maior, já que existe a subnotificação, que a falha no registro oficial de casos de violência, que acaba gerando uma estatística falsa.
No caso do estupro, um dos principais fatores para que o registro não chegue até as autoridades é o medo. A vergonha também é considerada um impedimento para que as pessoas denunciem este tipo de violência, o que faz com que o número registrado, apesar de absurdamente alto, seja inferior ao número real.
Estudos do IPEA indicam que apenas cerca de 8,5% a 10% dos casos de estupro no Brasil são notificados às autoridades. Isso significa que a subnotificação estimada é superior a 90%, com projeções apontando que o número real de estupros anuais pode superar 822 mil no país, evidenciando uma enorme disparidade entre registros oficiais e a realidade.
Panorama Nacional
No cenário nacional, a situação do Acre também é preocupante. De acordo com dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, enquanto a média nacional é de 40,8 em 2023 e 41,2 em 2024, o Acre se encontra com a taxa de 95,9 em 2023 e 112,5 em 2024, na taxa por 100 mil habitantes.
O estado é o segundo maior do país em casos de estupro e estupro de vulnerável, ficando atrás apenas de Roraima, com taxa de 137. Depois do Acre, seguem Rondônia e Amapá, com a mesma taxa: 99,5, e em seguida, Mato Grosso do Sul, com 84,5.
Na outra ponta, ficam os estados do Ceará (22), Minas Gerais (26,5), Paraíba (27,4) e Pernambuco (28,1).







