
O Levante Feminista do Acre realiza, nesta quarta-feira, 25, um evento em Rio Branco para marcar os cinco anos da mobilização nacional contra o feminicídio, lesbocídio e transfeminicídio. A programação acontece das 8h às 12h, no auditório da Adufac, na Universidade Federal do Acre (Ufac) e é aberta ao público.
Com o tema “Enquanto houver violência contra a mulher, haverá levante”, a atividade propõe um espaço de debate, reflexão e formação sobre a violência de gênero no estado, que lidera os índices desse tipo de crime no país.
De acordo com a articuladora do movimento no Acre, Jade Cabeça, a iniciativa busca provocar discussão e mobilização social a partir de dados e experiências locais.
“A gente precisa que as pessoas parem para pensar, questionar e entender por que as mulheres são mortas no nosso estado. É um momento de reflexão e de escuta, principalmente das sobreviventes”, afirmou.
Criado em nível nacional, o Levante Feminista reúne movimentos e lideranças que atuam no enfrentamento à violência contra mulheres. No Acre, a mobilização é coordenada pela ativista Concita Maia e já esteve presente em atos públicos recentes, como manifestações contra o feminicídio e protestos ligados a casos de repercussão nacional.
O estado mais perigoso para se viver sendo mulher
Somente no ano passado, no Acre, 14 mulheres foram vítimas de feminicídio, uma marca histórica que se repetiu apenas em 2016 e 2018. Esses números colocam o estado como o primeiro do Brasil com a maior taxa do crime para 100 mil habitantes, de acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Além disso, em números de violência doméstica, o Acre se destaca: foram 6.530 ocorrências em 2025, conforme levantamento do Ministério Público do Acre (MPAC). Os dados revelam a importância de se pensar medidas urgentes para o combate às diversas violências contra mulheres no estado.
Evento debate políticas públicas
Segundo Jade, o evento também tem o objetivo de fortalecer o debate público e pressionar por políticas mais efetivas.
“A nossa ideia é fazer esse tensionamento mostrando fatos. Então a gente mostra o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, dados advindos da Lei Maria da Penha e da Lei do Feminicídio. A nossa ideia é fazer esse debate mostrando esses dados e a gente entende que isso faz com que a sociedade tensione o poder público”, explicou.
A programação inclui apresentações culturais e mesas de debate com especialistas e representantes de instituições. Entre os destaques:
- Abertura: apresentação sobre o Levante Feminista, com Concita Maia;
- Mesa 1: impactos físicos, psicológicos e sociais nas sobreviventes da violência;
- Mesa 2: papel das instituições no enfrentamento à violência contra a mulher;
- Intervenções artísticas ao longo da programação;
- Encerramento: reflexão sobre avanços e desafios no combate à violência de gênero.
“É um momento de reflexão e formação. Para compreender por que é importante a gente falar sobre isso”, reforçou Jade Cabeça.











