
Representantes da Frente Única dos Servidores Públicos do Acre apresentaram, nesta semana, uma contraproposta ao governo estadual durante coletiva realizada na sede do Sindicato dos Técnicos em Gestão Pública e dos Gestores de Políticas Públicas (Sintegesp), em Rio Branco. O principal ponto é a criação de um auxílio saúde de R$ 900 para servidores ativos e aposentados.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Acre, Rafael Diniz, o movimento busca dar transparência às negociações e esclarecer a categoria sobre o que está sendo discutido com o governo.
Proposta do governo é considerada insuficiente
Durante a coletiva, os sindicalistas explicaram que a proposta do governo prevê auxílio saúde de R$ 500 apenas para aposentados e um acréscimo de R$ 200 para servidores ativos. Também foi proposta a criação de um auxílio alimentação de R$ 700 para militares.
Para a Frente, os valores são considerados baixos e criam desigualdade entre as categorias.
Ainda segundo os representantes, a proposta não atende às necessidades dos servidores, principalmente dos aposentados. “O governo propôs R$ 500 de auxílio saúde apenas para os aposentados. Para a gente, isso é pífio”, destacaram.
Contraproposta prevê auxílio saúde unificado
A Frente propõe a criação de um auxílio saúde de R$ 900 para todos os servidores, ativos e inativos, além da manutenção do auxílio alimentação nos moldes atuais.
“O aposentado sabe que R$ 500 para quem compra remédio não supera a necessidade. Por isso, a nossa proposta é aumentar para R$ 900 e estender também para os servidores ativos”, explicaram os representantes durante a coletiva.
Segundo eles, a medida busca evitar distorções e garantir um benefício mais justo para toda a categoria.
Histórico de mobilização e cobrança por transparência
Rafael Diniz destacou que a Frente reúne 23 sindicatos e associações e foi criada após tentativas frustradas de negociações isoladas.

“Nós criamos uma pauta unificada porque, individualmente, não estávamos sendo atendidos. E vamos levar esse compromisso até o final”, afirmou.
Ele também criticou a condução do governo nas negociações. “O governo quer tratar todos como iguais, mas ao mesmo tempo joga uma categoria contra a outra”, disse, ao comentar a proposta de benefícios específicos para militares.
Perdas salariais e impacto no poder de compra
O presidente do Sindicato dos Especialistas Executivos do Estado do Acre (Sindeex), Fábio Macedo, ressaltou que os servidores acumulam perdas inflacionárias desde 2019.
“De 2019 a 2025, nós já temos um gap de 20,39%, além dos 20,32% que estão sendo aplicados de forma parcelada”, afirmou.
Segundo ele, o problema é agravado pelo fato de os reajustes terem sido aplicados sobre salários congelados. “O nosso poder de compra se desfez no tempo”, disse.
Fábio também chamou atenção para a situação de servidores que recebem abaixo do salário mínimo e precisam de complementação. “Tem servidor ganhando R$ 1.521,17 e precisando de complemento para chegar ao mínimo. Isso não garante dignidade”, afirmou.
Ele ainda cobrou abertura de diálogo técnico por parte do governo. “O Estado precisa sentar com a gente para discutir com responsabilidade. Temos profissionais capacitados para contribuir com soluções viáveis”, completou.
Próximos passos
A contraproposta será protocolada junto aos órgãos do governo e encaminhada aos deputados estaduais. A expectativa é que o projeto do Executivo seja enviado à Assembleia Legislativa nos próximos dias.
Os representantes também convocaram os servidores para acompanhar a tramitação da proposta.
“Vamos aguardar o governo nos chamar para discutir com responsabilidade e transparência”, concluiu Rafael Diniz.








