
Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontam para um cenário preocupante em relação à saúde mental de adolescentes no Brasil. O levantamento indica que três em cada dez estudantes de 13 a 17 anos afirmaram que se sentem tristes sempre ou na maioria das vezes, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe).
A pesquisa ouviu quase 120 mil estudantes de escolas públicas e privadas de todo o Brasil. De acordo com o IBGE, uma parcela significativa de adolescentes brasileiros relata sofrimento emocional recorrente, o que reforça a necessidade de atenção por parte de famílias, escolas e do poder público.
Ainda segundo os dados divulgados, fatores como pressão social, uso excessivo de telas, dificuldades no ambiente escolar e questões familiares estão associados ao agravamento da saúde mental nessa faixa etária.
O levantamento também mostra que muitos adolescentes enfrentam dificuldades para acessar atendimento psicológico ou psiquiátrico, o que pode atrasar o diagnóstico e o início do tratamento adequado.
O IBGE destaca a importância de ampliar ações de prevenção, fortalecer redes de apoio e garantir acesso a serviços de saúde mental para adolescentes em todo o país.
Autoagressões
A partir da amostra, o IBGE calculou que cerca de 100 mil estudantes brasileiros tiveram alguma lesão autoprovocada nos 12 meses anteriores à pesquisa, o que equivale a 4,7% de todos que sofreram algum acidente ou lesão no período analisado.
Entre eles, todos os indicadores são consideravelmente mais altos:
• 73% se sentem tristes de forma constante;
• 67,6% ficam irritados ou nervosos por qualquer razão;
• 62% não veem sentido na vida;
• 69,2% já sofreram bullying.
As meninas também apresentam maior proporção de lesões autoprovocadas. Entre aquelas que sofreram algum ferimento, 6,8% se machucaram de propósito, contra 3% entre os meninos.
“A criação de políticas públicas que contemplem essas diferenças entre os sexos é importante e urgente, para que as mulheres do país possam manter seu bem-estar e sua capacidade inegável de contribuição para a economia, para a sociedade e para o Estado brasileiro”, defendem os pesquisadores.
Imagem corporal
O nível de satisfação com a própria imagem corporal caiu para todos os estudantes desde a última edição da pesquisa, em 2019, de 66,5% para 58%. A situação é pior entre as alunas.
Mais de um terço delas se disse insatisfeita com a própria aparência, contra menos de um quinto dos meninos.
Além disso, apesar de 21% das alunas se considerarem gordas ou muito gordas, mais de 31% revelaram que estavam tentando perder peso. Ambas as proporções foram maiores entre o gênero feminino.
Onde buscar ajuda
Adolescentes e seus responsáveis ou quaisquer pessoas com pensamentos e sentimentos de querer acabar com a própria vida devem buscar acolhimento em sua rede de apoio, como familiares, amigos, educadores e também em serviços de saúde.

De acordo com o Ministério da Saúde, é muito importante conversar com alguém de confiança e não hesitar em pedir ajuda, inclusive para buscar serviços de saúde.
Serviços de saúde que podem ser procurados para atendimento:
• Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da família, Postos e Centros de Saúde);
• UPA 24H, SAMU 192, Pronto Socorro; Hospitais;
• Centro de Valorização da Vida – 188 (ligação gratuita).








