
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) retoma nesta quarta-feira, 15, o julgamento que pode tornar o ex-governador do Acre, Gladson Cameli, inelegível para disputar as eleições de outubro. Ele é alvo de ação penal onde é acusado de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraude à licitação.
O ex-governador Gladson Cameli (PP) tornou-se réu em maio de 2024, após a aceitação unânime da denúncia pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ), e sempre se declarou inocente.
No último dia 2 de abril, Gladson renunciou ao cargo de governador para disputar uma vaga ao Senado nas eleições de outubro.
Com a saída, Mailza, que era vice-governadora, assumiu o comando do governo estadual.
Como começou a Operação Ptolomeu
A primeira fase da operação foi deflagrada em 16 de dezembro de 2021, com mandados de busca e apreensão no gabinete e na residência do governador, além da prisão de assessores e agentes apontados como integrantes de um suposto esquema criminoso.
A investigação indicava a existência de uma estrutura voltada ao desvio de recursos públicos, pagamento de vantagens indevidas e operações de lavagem de dinheiro. Segundo a PGR, a organização funcionaria a partir da cúpula do governo estadual, utilizando contratos públicos, empresas subcontratadas e pessoas físicas, entre elas familiares, empresários e servidores, com o foco de ocultar valores.
Baseado em outras operações da polícia, que, segundo o relatório, mostravam a ligação do governador do Acre, Gladson Cameli, em algumas movimentações, o Relatório de Inteligência Financeira (RIF) teria apontado, a princípio, 35 comunicações de operações financeiras suspeitas e, destas, 20 possuíam Cameli como titular ou envolvido.
Quais crimes o Ministério Público acusa Gladson Camelí?
Quando ofereceu a denúncia, a PGR imputou ao governador e a outras 12 pessoas os crimes de:
• organização criminosa;
• peculato;
• corrupção ativa e passiva;
• lavagem de dinheiro;
• fraude à licitação.
De acordo com a acusação, as práticas ilícitas, iniciadas em 2019, já teriam provocado um prejuízo superior a R$ 16 milhões aos cofres públicos. Inicialmente, o MPF estimava os danos em mais de R$ 11 milhões, mas pareceres técnicos da Controladoria-Geral da União (CGU) apontaram perdas ainda maiores.
Desde o início das investigações, Camelí afirma que é inocente de todas as acusações e que confia na justiça.








