Rio Branco, 21 de abril de 2026.

Sem fronteiras 4

Apesar do potencial para o turismo internacional, número de visitantes estrangeiros no Acre ainda é pequeno; média é de apenas 1 mil por mês

Festivais indígenas atraem turistas de várias partes do mundo, mas ainda é incipiente diante do potencial – Foto Alexandre Noronha/Secom

Mesmo com uma variedade de atrativos naturais e culturais, o Acre ainda recebe um número considerado baixo de turistas estrangeiros, especialmente diante do potencial que o estado apresenta.

Dados recentes divulgados pela Fecomércio-AC indicam que cerca de 2.095 visitantes estrangeiros entraram no Brasil pelas fronteiras acreanas entre janeiro e fevereiro de 2026. A projeção anual gira em torno de 17 mil turistas, número ainda distante do registrado em 2018, quando mais de 30 mil estrangeiros passaram pelo estado.

O contraste chama atenção principalmente quando se observa a diversidade de destinos turísticos disponíveis no Acre. Entre eles está o Parque Nacional da Serra do Divisor, considerado um dos locais de maior biodiversidade do país.

No interior do estado, a região do Croa, em Cruzeiro do Sul, se destaca pelo turismo de base comunitária, com experiências ligadas à natureza e à cultura local. Já na capital, Rio Branco, espaços como o Parque Chico Mendes e o Horto Florestal de Rio Branco oferecem opções de lazer, educação ambiental e contato com a fauna e flora amazônicas.

Outro destaque são os festivais indígenas, realizados em diferentes regiões do estado, que atraem visitantes interessados nas tradições, rituais e modos de vida dos povos originários.

Além disso, o Acre já possui 12 dos seus 22 municípios inseridos no Mapa do Turismo Brasileiro, iniciativa do Ministério do Turismo que define as áreas prioritárias para o desenvolvimento de políticas públicas no setor. No estado, três rotas turísticas estão formalmente reconhecidas: a Caminhos da Revolução, que abrange Plácido de Castro, Porto Acre e Rio Branco; a Caminhos das Aldeias e da Biodiversidade, que inclui Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Rodrigues Alves e Tarauacá; e a Caminhos do Pacífico, com Assis Brasil, Epitaciolândia e Xapuri.

A inserção desses municípios no mapa permite acesso a políticas públicas, investimentos em infraestrutura e capacitação profissional, além de fortalecer a organização do turismo regional. Para integrar o programa, é necessário que as cidades atendam a critérios como estrutura administrativa para o turismo, cadastro regular de prestadores de serviços e conselho municipal ativo.

Mesmo com avanços e reconhecimento institucional, os números mostram que o fluxo de turistas estrangeiros ainda não acompanha a capacidade do estado.

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