
O coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, tenente coronel Cláudio Falcão, acendeu o alerta para um cenário preocupante nos próximos meses: a possibilidade de uma seca extrema no estado do Acre em 2026. Segundo ele, embora o período atual ainda registre níveis elevados do Rio Acre, os sinais de mudança climática já começam a aparecer.
A última chuva forte registrada na capital ocorreu no dia 14 de abril e provocou enxurradas em diferentes regiões da cidade de Rio Branco. Apesar dos impactos, o volume não foi suficiente para elevar significativamente o nível do rio. Já as últimas chuvas intensas em municípios como Xapuri e Brasiléia contribuíram para uma elevação momentânea, levando o manancial à cota de atenção de 10,80 metros. Atualmente, o nível já apresenta recuo, ficando abaixo dos 10 metros.
Mesmo assim, o coordenador alerta que o cenário é atípico para o período. “Estamos com o nível do rio ainda elevado para a segunda quinzena de abril, mas teremos meses difíceis pela frente”, afirmou.
De acordo com Falcão, a tendência é de redução significativa das chuvas a partir de maio, influenciada pela intensificação do fenômeno El Niño. Esse processo deve provocar aumento das temperaturas, diminuição da umidade e, consequentemente, criar condições favoráveis para uma estiagem severa.
A previsão é que os primeiros impactos sejam sentidos já entre maio e junho, com agravamento a partir de julho. “Teremos solo saturado passando rapidamente para um cenário seco, altas temperaturas e baixa frequência de chuvas. Isso também favorece queimadas e agrava problemas de saúde”, explicou.
Diante desse panorama, a Defesa Civil municipal já iniciou a ativação de planos de contingência. Entre as medidas, estão ações integradas com secretarias como Meio Ambiente, Saúde, Agricultura e a Superintendência da RBTrans, visando minimizar impactos relacionados a queimadas, escassez de água e problemas respiratórios.
Falcão destaca que, diferente das enchentes, que atingem cerca de 25% da população, a seca afeta praticamente todos os moradores. “É um cenário que exige preparação coletiva. A população precisa se adaptar desde já, cuidando da saúde, evitando exposição excessiva ao sol e economizando água, principalmente nas áreas rurais”, orientou.








