Rio Branco, 4 de maio de 2026.

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Mutirão leva serviços integrados e reforça cidadania para população em situação de rua em Rio Branco

Atendimentos acontecem nesta segunda no CERB – Foto Lucas Dourado

O acesso a direitos básicos ganhou reforço em Rio Branco nesta segunda-feira, 4, com a realização do 4º Mutirão PopRuaJud. Promovida pelo Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), a ação reuniu diversas instituições para oferecer, em um único espaço, atendimentos jurídicos, sociais e de saúde à população em situação de rua.

Realizado no Colégio Estadual de Rio Branco (CERB), o mutirão teve como foco ampliar o acesso a serviços essenciais de forma ágil e humanizada, garantindo não apenas orientação, mas também encaminhamentos concretos para quem mais precisa.

Atendimento integrado e garantia de direitos

A coordenadora de apoio aos Programas Sociais do Poder Judiciário, Isnailda Silva, destacou que a proposta vai além da oferta de serviços pontuais, buscando garantir resolutividade no atendimento.

Coordenadora da ação explica que expectativa é que 700 atendimentos sejam realizados ao longo do dia – Foto Lucas Dourado

Segundo a coordenadora, o diferencial da ação está na integração entre os órgãos participantes, permitindo que a pessoa atendida consiga resolver diversas demandas no mesmo local.

“Para além dos serviços de cidadania para essa população, que muitas vezes é desassistida e invisibilizada, o TJAC reuniu vários parceiros e estamos trazendo todos os serviços, tanto no âmbito estadual quanto federal. A pessoa pode sair daqui já com o benefício garantido, porque temos magistrados, INSS, perícia, saúde, documentação, cartórios. Ou seja, estamos trazendo justiça social para essa população”, afirmou.

A coordenadora também ressaltou que a expectativa é de cerca de 700 atendimentos ao longo do dia, considerando que cada pessoa costuma acessar mais de um serviço. Além disso, Isnailda destacou que a iniciativa contribui diretamente para a mudança de vida dos atendidos.

“Além de trazer dignidade, a pessoa pode sair daqui com seu direito garantido. E, após isso, há o acompanhamento por uma equipe multidisciplinar, com assistente social e psicólogo, para que ela consiga reconstruir sua trajetória”, completou.

Dados e desafios da população em situação de rua

O gerente do Departamento de Proteção Social Especial da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (SASDH), Gabriel Ferreira, explicou que o número de pessoas em situação de rua na capital varia conforme a metodologia de levantamento, mas atualmente gira em torno de 450 pessoas ativas no município.

Além disso, Ferreira destacou que esse público possui uma dinâmica própria, o que torna o monitoramento mais complexo.

“É um público muito diverso. Hoje a pessoa pode estar na rua, mas amanhã pode retornar para a família ou estar em outro local. Por isso, trabalhamos com cadastros ativos e inativos. Atualmente, temos cerca de 491 cadastros ativos e mais de 200 inativos”, explicou.

O gerente do Departamento de Proteção Social também reforçou a importância de ações como o mutirão para superar barreiras no acesso a direitos.

“Muitas vezes encontramos dificuldades para validar os direitos dessas pessoas. Quando reunimos vários serviços em um único espaço, facilitamos esse acesso e reafirmamos o compromisso com essa população”, disse.

Reconhecimento e resgate de dignidade

Para quem vive essa realidade, a iniciativa representa mais do que acesso a serviços. É também um reconhecimento enquanto cidadão. O coordenador do Movimento Estadual da População em Situação de Rua, Rudisson Nunes, destacou que o mutirão simboliza um avanço na inclusão social.

Rudisson, que coordena o Movimento Estadual da População em Situação de Rua elogiou a iniciativa – Foto Lucas Dourado

“Essa ação significa um reconhecimento, um olhar mais acessível para as pessoas que estão à margem da sociedade. Representa um resgate de humanidade, dignidade e de cidadania”, afirmou.

Além disso, Rudisson destacou casos de pessoas que se cadastram como em situação de rua, mas na realidade, não são. Para ele, isso atrapalha quem realmente vive a problemática. O coordenador também chamou atenção para a importância de compreender a complexidade dessa população.

“Hoje falamos em ‘pessoa em situação de rua’, porque nem todos moram na rua. Existem pessoas que vivem da rua, que trabalham nela, como vendedores ambulantes. É uma realidade diversa que precisa ser compreendida”, explicou.

Ação contínua e expansão para o interior

Além da edição em Rio Branco, o mutirão deve alcançar outros municípios do estado. Segundo a coordenadora Isnailda Silva, a próxima ação está prevista para Cruzeiro do Sul, no dia 8 de maio, e posteriormente em Tarauacá.

Em Rio Branco, a iniciativa segue até às 17h desta segunda-feira, 4, no CERB, no centro da capital acreana.

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