
Foto: acervo Portal Acre
Os conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Dulcinéia Benício, Naluh Gouveia e Ronald Polanco, além do procurador de Justiça do Estado do Acre, Sammy Barbosa, divulgaram, na tarde desta quinta-feira, 21, uma nota pública em defesa da trajetória de Marina Silva, diante do que classificam como recentes ataques pessoais e políticos.
No documento, os signatários relembram a história de vida da acreana, sua trajetória política e o reconhecimento internacional conquistado ao longo dos anos. A nota destaca ainda que Marina Silva já foi reconhecida por publicações de relevância mundial, como o jornal The New York Times, como uma das personalidades mais influentes de seu tempo.
A manifestação também afirma que o Acre não pode se orgulhar de incentivar a violência verbal contra uma mulher cuja trajetória projeta o estado no Brasil e no mundo. Segundo o texto, a divergência política é legítima e necessária à democracia, mas a agressividade, o deboche e a disseminação do ódio não contribuem para o debate público, nem engrandecem a política brasileira.
A nota foi divulgada após a agenda do deputado federal Nikolas Ferreira no Acre, marcada por críticas à Marina Silva, consideradas excessivas pelos autores da manifestação.
CONFIRA A NOTA COMPLETA:
NOTA PÚBLICA
“Manifestamos solidariedade e apoio à trajetória pública da acreana Marina Silva, diante dos recentes ataques pessoais e políticos dirigidos contra sua história e atuação em defesa da Amazônia, da democracia e das futuras gerações.
A história humana — e também a história bíblica — é marcada por exemplos de pessoas que, muito antes de serem reconhecidas pelo mundo, foram agredidas e, por vezes, incompreendidas em sua própria terra. Em geral, o tempo demonstrou que estavam do lado certo da história.
Marina Silva é uma dessas personalidades.
Filha do seringal, alfabetizada tardiamente, sobrevivente da pobreza, da exclusão social e da doença, construiu uma das trajetórias públicas mais extraordinárias da vida brasileira contemporânea. Sem jamais renunciar às suas convicções, tornou-se referência internacional na defesa do meio ambiente, da justiça social e do desenvolvimento sustentável.
Sua caminhada política nasceu no Acre, onde foi eleita vereadora, deputada estadual e senadora da República por duas vezes. Posteriormente, tornou-se ministra de Estado, alcançando reconhecimento global por sua atuação ética, firme e comprometida com causas que ultrapassam fronteiras e interessam a toda a humanidade.
Não por acaso, Marina Silva já foi reconhecida por publicações relevantes, como o jornal The New York Times, como uma das personalidades mais influentes de seu tempo. Sua voz ecoa nos principais fóruns internacionais dedicados à preservação ambiental e ao enfrentamento das mudanças climáticas — um dos maiores desafios civilizatórios da atualidade.
Pessoas dessa dimensão histórica podem até não receber, em sua terra natal, todo o carinho e reconhecimento que merecem. O que jamais pode ser naturalizado, contudo, são ataques de ódio, desrespeito pessoal e campanhas de desqualificação promovidas por agentes políticos que transformam a intolerância em instrumento de projeção pública.
O Acre não pode se orgulhar de incentivar a violência verbal contra uma mulher cuja trajetória honra o nosso estado perante o Brasil e o mundo. A divergência política é legítima e necessária à democracia. Mas a agressividade, o deboche e a disseminação do ódio não contribuem para o debate público, não melhoram a vida das pessoas e não engrandecem a política brasileira.
Causa ainda maior perplexidade que ataques dessa natureza sejam dirigidos contra uma mulher reconhecida por sua integridade moral por alguém que professa a mesma fé cristã evangélica de Marina Silva. Espera-se, entre irmãos de fé, ao menos respeito.
O povo acreano conhece a história de Marina Silva. Conhece sua origem humilde, sua coragem e a coerência que sempre a caracterizaram. E sabe distinguir quem construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com causas sociais e humanas daqueles que apenas produzem ruído, conflito e radicalização para alimentar projetos pessoais de poder.
Neste momento, reafirmamos nosso respeito à sua história e à sua contribuição para o Acre, o Brasil e o mundo.”
Rio Branco, AC, 21 de maio de 2026.
Dulcinéa Benício
Naluh Gouveia
Ronald Polanco
Sammy Barbosa







