
O Acre registrou a maior redução proporcional da violência letal do país nos últimos cinco anos e saiu de um dos períodos mais críticos da sua história recente para um cenário de forte retração nos índices de homicídios. É o que aponta o Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
De acordo com o levantamento, a taxa de homicídios no estado caiu 47,9% entre 2019 e 2024 — o maior recuo do Brasil no período, à frente de Sergipe (-47%) e Goiás (-43%). Em números absolutos, o Acre passou de 325 homicídios registrados em 2019 para 174 em 2024.
A taxa de mortes violentas caiu de 38,8 homicídios por 100 mil habitantes para 20,2 no intervalo analisado. Apesar da melhora expressiva, o índice acreano ainda permanece ligeiramente acima da média nacional, que ficou em 20,1 homicídios por 100 mil habitantes em 2024.
Os números representam uma mudança significativa em relação ao cenário vivido pelo Acre na segunda metade da década passada, quando o estado chegou a registrar uma das maiores explosões de violência letal do país. Em 2017, auge da disputa entre facções criminosas, a taxa acreana alcançou 62,5 homicídios por 100 mil habitantes — mais que o triplo do índice atual.
Desde então, os dados mostram uma trajetória contínua de redução. Após o pico de 2017, a taxa caiu para 49,1 em 2018, 38,8 em 2019, 36 em 2020, 24,2 em 2021 e chegou aos atuais 20,2 homicídios por 100 mil habitantes em 2024.
Além do desempenho acumulado nos últimos cinco anos, o Acre também aparece entre os estados com maior redução recente da violência letal. Apenas entre 2023 e 2024, a queda foi de 20,5%, uma das mais intensas do país, atrás apenas de Amapá, Tocantins e Sergipe.
O Atlas da Violência destaca que a redução dos homicídios ocorreu de forma desigual no território brasileiro e que boa parte das unidades da Região Norte ainda concentra índices elevados de violência. Nesse contexto, o Acre surge como um dos poucos estados amazônicos a apresentar queda consistente e prolongada nos indicadores de homicídios.
Apesar da melhora, o relatório faz um alerta para as transformações do crime organizado no país, especialmente na Amazônia e nas regiões de fronteira. Segundo os pesquisadores, facções criminosas passaram a atuar de forma mais diversificada, ampliando presença em mercados ilegais, crimes patrimoniais e atividades econômicas clandestinas, além de expandirem influência sobre cidades do interior.
O documento também ressalta que a sensação de insegurança da população nem sempre acompanha a queda dos homicídios, principalmente diante do crescimento de crimes virtuais, fraudes digitais e da presença cada vez mais sofisticada do crime organizado no cotidiano brasileiro.








