
A última carga de aproximadamente 2 mil quilos de mandim trazida de Cruzeiro do Sul para abastecer o mercado de Sena Madureira está perto de acabar. Segundo o pescador e comerciante Geancarlos Vieira da Silva, conhecido como “Gean do Peixe”, restam atualmente cerca de 200 quilos disponíveis para venda no município.
O mandi, ou mandim como é mais conhecido, é uma das espécies mais consumidas e apreciadas pela população local, o que fez com que a comercialização da carga ocorresse rapidamente logo após a chegada do pescado à cidade. Atualmente, o quilo do mandi tratado está sendo vendido a R$ 35, enquanto o peixe não tratado custa R$ 33 o quilo.
Em entrevista exclusiva ao Portal Acre, Geancarlos Vieira da Silva, conhecido como “Gean do Peixe”, que atua há décadas no ramo da pesca e comercialização de peixes em Sena Madureira, lamentou a redução da oferta da espécie nos rios da região e relembrou o período em que o município era conhecido pela fartura do pescado.
“Eu costumo sempre dizer que tenho 47 anos e 9 meses na profissão de pescador. Tenho 47 anos de idade e os 9 meses que minha mãe me carregou na barriga eu já ia junto com ela trabalhar. Então tenho todo esse tempo de profissão”, afirmou.
Segundo ele, Sena Madureira já foi conhecida em todo o estado como a “terra do mandim”, mas atualmente enfrenta escassez da espécie, obrigando comerciantes e pescadores a buscar pescado em outros municípios e até em outros estados.
“Sena Madureira foi conhecida como a terra do mandim e hoje a gente tem que mandar buscar de outros estados e municípios. A gente paga imposto e o peixe chega mais caro. Hoje temos que pagar até GTA, a Guia de Transporte Animal, coisa que antigamente ninguém pagava por peixe”, relatou.
Gean do Peixe destacou ainda que a importação do pescado ocorre por meio de parcerias realizadas em cidades do Acre, Amazonas e Rondônia. Entre os locais citados por ele estão Cruzeiro do Sul, Feijó, Tarauacá, Lábrea, Humaitá e até Manaus.

“Hoje Sena Madureira passa pela escassez do mandim da região. A gente precisa mandar buscar fora e não existe previsão de piracema aqui no momento. Acredito que nos próximos dias ou até meses não vai ter piracema na região”, explicou.
O pescador também afirmou que a carga trazida recentemente de Cruzeiro do Sul já está praticamente esgotada e que uma nova remessa deverá ser providenciada nos próximos dias para atender a demanda local.
“As duas toneladas que a gente mandou buscar de Cruzeiro já estão praticamente no final. Provavelmente hoje à tarde já acaba, mas estamos providenciando mais uma tonelada para trazer”, disse.
Enquanto Sena Madureira enfrenta baixa oferta da espécie, Cruzeiro do Sul vive um período de fartura devido à piracema do mandi no Vale do Juruá, fenômeno que aumentou significativamente a quantidade de pescado disponível nos mercados locais.
Nos últimos anos, a importação de mandi vindo de outras regiões passou a ser cada vez mais frequente em Sena Madureira, especialmente durante períodos de estiagem e redução da pesca nos rios do Purus.








